jan 17 2011
Wolverine, que olhos grandes você tem!

Curtiram minha série de final de ano(que começou como um simples texto sobre o Kishimoto…)? Ficou um gosto amargo dos comentários venenosos contra os autores? Então tá tudo ótimo. Bem vindos ao primeiro Otaku é a Mãe! do ano. Hoje vou aproveitar o clima de férias de todo mundo (só vocês mesmo, porque eu tô indo trabalhar) e falar de um assunto um pouco mais delicado, que precisa da sutileza da mente descansada para compreender (traduzindo: Eu espero que vocês tenham MESMO senso de humor): A pior idéia de todos os tempos – Os animês de produções ocidentais.
Qualé, Trin, pra que apontar uma arma pra minha ca… BOOM!Não, não se descabelem ainda, acompanhem minha linha de raciocínio… Você conhece um mangá, um desses muitos por aí que viram animê e passa a curti-lo. Ótimo, você finalmente vai atrás do animê e vê que tem algumas temporadas de sucesso, o que faz com que atravesse completamente a barreira Oriente/Ocidente e seja reconhecido até pelo tiozinho da padaria, que vai pronunciar o nome completamente errado. Aí, os olhos gordos da indústria cinematográfica caem em cima e surge a brilhante idéia de fazer uma adaptação em Hollywood (aquelas que já falei alguma vez). Legal, não é? Pois isso que propuseram a fazer nos últimos tempos com as séries e filmes do lado de cá, transformando em animês.
A princípio realmente é algo que pode agradar. A linguagem do animê consegue trabalhar bem com alguns dos personagens que são famosos pelas bandas de cá. Imagino que um Ultimate Spider-Man (para quem não sabe, a versão “jovem” do Homem-Aranha) se tornaria um animê bom, já que tanto arte quanto roteiro são tão doidos quanto um animê típico. Claro, isso se, na hora de adaptar, respeitarem-se tanto as regras da obra original quanto da nova linguagem. Aí está o “Pulo do Gato” dessa história toda. Um bom exemplo de cada a falha de sincronia pode destruir uma boa empreitada, veja o que aconteceu com Dragon Ball Evolution. Totalmente fora da casinha, DBE não segue nada da cronologia de Dragon Ball ou mesmo segue padrões aceitáveis pra um filme para adolescentes e adultos, como foi vendido.
O mesmo vale na ordem inversa. Usemos o novo animê do Wolverine como Cristo então. Já que é uma produção japonesa, por que não ambientar o personagem no Japão? Melhor ainda, aproveitar que ele tem mesmo histórias na terra do sol nascente e que logo sairá uma adaptação pra cinema com o mesmo roteiro (que é uma continuação descotinuada de X-Men: Origens – Wolverine). Tudo bonito, tudo fácil, só desenhar agora. O porém é que, não pensaram nem por um instante que a linguagem do animê não poderia seguir o padrão estabelecido em outras produções. Veja só: Eu sempre achei engraçado que o Wolvie tinha o esteriótipo perfeito pra qualquer coisa de ação: Filme, quadrinhos, desenho animado ou animê (que no fundo é a mesma coisa)[nota do revisor: sinto que o Black será morto pelos fãs por isso]. Só que a versão do animê sofre ao tentar unir todas as versões em uma só, ele é profundo como no desenho animado, violento como nos quadrinhos e tem um aspecto que tenta transformar a visão do filme em algo estilizado, como o Homem-de-Ferro em animê… Aliás…
Nem tem comparação esse Wolvie semi-roqueiro…
… Se comparado com esse aqui. Bem mais modafóca né?Homem-de-Ferro em animê não é ruim… Mas é muito a ver com Batman – The Gotham Knight, animê produzido para servir de prequel ao filme The Dark Knight (O Cavaleiro das Trevas por aqui). Sério, desde Animatrix tudo que vem de Hollywood pra virar animê segue o mesmo estilo de traço. E Animatrix é antigo, e talvez o início dessa onda. Na época, parte das animações era fantástica e levou a fama. Outras, nem tanto. Homem-de-Ferro sofre do mal de não ser nada demais. É o repeteco, uma história que mostra o Tony Stark muito chupado (ui) da versão Ultimate dos Quadrinhos e querendo agradar a todos os públicos.
Sério, esse Bat aí… É mó suspeito.E entra aí a proposta mais ousada dessa trupe, que realmente tá dividindo minhas opiniões: Supernatural. Diferente dos outros, não é advindo da telona, mas da telinha. Tem uma série por base, com seis temporadas bem estruturadas, e com uma proposta menos vagabunda: Ilustrar aquilo que não vimos na tevê, recontar a história dos irmãos Winchester com maior aprofundamento em histórias não acabadas. Parece promissor, mas tem um grande defeito que pode não ser contornado: Vai ser exatamente o mesmo que a série. Ficaria legal? Talvez, há uma grande chance de cansar e aí já viu…
Ocidente e Oriente tem que aprender: Não vale apenas ter a grande idéia de adaptar uma história de um lado com produção do outro. Há muito mais trabalho em tornar o troço válido para seu público fiel, que serão os proclamadores da novidade. Se você conseguir respeitar a obra original e agradar aos fãs, então tem chance de dar certo. Só que até agora isso não aconteceu…
Black
O editor-chefe da bagaça aqui. Responsável por tudo que for publicado. É... Legal, hein?
