dez 23 2009
Waterboys! Nado sincronizado… de homens?

Prezado leitor masculino, façamos um exercício mental. Feche os olhos e se imagine vestindo uma sunguinha. Isso, uma sunguinha, de preferência vermelha. Agora imagine seu grupo de amigos (também homens, supostamente) usando cada qual uma sunguinha semelhante. Agora, pense em todos vocês numa piscina, praticando… nado sincronizado! Isso, aquele esporte de meninas com movimentos graciosos, coreografias elaboradas e praticado POR MULHERES! Bizarro, não? Pois é mais ou menos por aí a história de WATERBOYS!
Nado sincronizado de homem! Vai encarar??
Waterboys é um filme de 2001, dirigido por Shinobu Yaguchi, que narra a história de cinco rapazes meio perdidos e sem rumo que estão naquela fase de terceiro-ano-do-colegial-antes-dos-testes-de admissão, cada um com sua própria personalidade um tanto quanto estereotipada. Os garotos estudam no colégio masculino Tadano e estão chegando no último verão do colegial. E aí nós temos Suzuki, o protagonista que não tem auto-confiança e se torna um líder (Satoshi Tsumabuki), o rebelde Sato, que tenta fazer de tudo mas não faz nada (Hiroshi Tamaki), o extravagante e empolgado Ohta (Akifumi Miura), o tímido e enrustido fechado Saotome (Takatoshi Kaneko) e Kanazawa que é.. o nerd, claro, pois não pode faltar um nerd (Koen Kondo).
WATERBOYS avante!Agora, como eles acabam juntos em um grupo de nado sincronizado? ÓBVIO que foi por causa de mulher! No caso, a nova e bela professora de natação, Sakuma-sensei (interpretada por Kaori Manabe), que atrai a atenção de todos os alunos. Sakuma-sensei, no entanto, era uma ex-atleta de nado sincronizado e propõe aos garotos a criação de uma equipe de nado sincronizado masculino! A proposta imediatamente afasta todos os meninos, restando aos nossos cinco bravos homens a tarefa de realizar o sonho da apaixonante professora. No entanto, não só os colegas como também a direção da escola acham a idéia… ah… no mínimo inusitada, chegando a pedir uma demonstração das habilidades dos garotos. Isso resulta em um desastre tão maravilhoso que certamente é a cena estou-chorando-de-rir do filme! Mas é claro que nossos heróis não vão desistir, certo? Bom, eles desistem, até encontrar… ELE! O fantástico! O maravilhoso! O incrível! O sábio! ISOMURA-SAN, O ADESTRADOR DE GOLFINHOS!
Ooooi!Isomura-san, interpretado pelo grande Naoto Takenaka, é um treinador de golfinhos que trabalha em um grande aquário e faz apresentações artísticas com seus aprendizes. E, depois de vê-lo em ação, Suzuki se empolga e chama todo mundo pra treinar com ele. Mas Isomura-san, esperto que só ele, impõe a condição clássica dos grandes treinadores orientais: obedecer a todas as ordens! Assim começa o treinamento que, no melhor estilo Karate-Kid, envolve limpar aquários para deixar o treinador folgado fortalecer os músculos, praticar sincronia com máquinas eletrônicas de dança e nadar no mar.
Dance dance waterboy!E bom, no final, como era de se esperar, eles fazem uma grande performance e arrasam! Final previsível? Claro, mas é uma comédia, tinha que ser assim mesmo! Aonde quero chegar? O filme é engraçado, divertido, agradável, ou seja vale a pena. E, aparentemente, não fui só eu quem pensou isso no Japão…
WATERBOYS AGAIN, AND REVIVAL, AND STRIKES BACK!
O fato é que Waterboys foi um sucesso. GRANDE sucesso. E o que você faz com um grande sucesso em um mundo capitalista como o nosso? Você aproveita, claro! E assim, dois anos depois, surge Waterboys, o dorama. Para quem não sabe, “dorama” é como os japoneses chamam seus seriados, que geralmente tem entre 9 e 11 episódios. Siiiim, como se não bastassem uma hora e meia de meninos de tanguinhas se afogando na piscina, os japoneses resolveram fazer mais 11 episódios com o tema! Waterboys, o dorama, se passa dois anos depois do filme, quando, acredite se quiser, o clube de nado sincronizado masculino faz muito sucesso no Colégio Tadano. No entanto, o responsável pelo Colégio, professor Yamaoka (interpretado pelo Akira Fuse, e quem, como eu, tem mãe fã de enka, conhece o cantor-galã), acredita que o clube está atrapalhando os alunos, e decide fechá-lo.
A série tem como personagem principal Kankuro Shindo (Takayuki Yamada), um membro do clube que, em função de algum tipo de problema intestinal que não vem ao caso no momento, não consegue se apresentar junto com os outros no ano anterior e agora está no último ano do colegial (de novo, naquele período antes do vestibular, blá, blá, blá….). E, novamente ele, um jovem com pouca auto-confiança, acaba se tornando o líder de um grupo de alunos que desejam manter o clube aberto. E daí nós temos, de novo, um grupo de estudantes característicos: o empolgado Norio Tatematsu (Mirai Moriyama), o briguento-mal-encarado-que-não-sabe-nadar Go Takahara (Yuma Ishigaki), o gordinho complexado Futoshi Ishizuka (Tomoya Ishii) e…. quem? Quem? O neeerd, claaarooo!! No caso, o engomadinho Masatoshi Tanaka (interpretado por Eita, que é o nome do ator, não uma expressão, ha, ha). Ah, sim, também temos a aparição de um ex-integrante do grupo orignal, o Sato, que é tratado como um veterano (de fato, ele é) e ajuda o grupo.
Tudo bem, tudo bem, eles estão muito gays, podem falar…E aí segue a história de sempre: começo frustrante, treinamento, laços de amizade, cenas cômicas e um glorioso final com uma grande performance na piscina. Com a diferença que, como tem muito mais tempo, é possível aprofundar mais na história das personagens, cabendo até as tradicionais historietas românticas envolvendo as donzelas Asako Onishi (Mao Miyaji) e Kyoko Hanamura (Yu Kashii). Mesmo tendo basicamente a mesma linha que o filme e um protagonista com cara de quem-comeu-e-não-gostou (não, eu não sou muito fã do Takayuki Yamada), o dorama também fez sucesso, porque deu origem a uma continuação. SIM! Depois de um ano, temos Waterboys 2!
Bom, até aqui você já sabe tudo o que vai acontecer na história, só falta ver o primeiro capítulo para saber qual é o protagonista e quem são as caricaturas de alunos japoneses que o acompanharão. Nesse caso, a história sai do Colégio Tadano e vai para o Colégio Himeno, que era um colégio só para garotas e foi recentemente transformado em colégial misto. Assim, são poucos meninos e eles sofrem preconceito das meninas. Então, transferido de uma grande cidade, surge Eikichi Mizushima, que era um ex-integrante de uma equipe de nado e se muda para a cidade do avô. Ao entrar no colégio, conhece o empolgado (já leu algo parecido neste texto?) Yosuke Yamamoto (Akiyoshi Nakao), que quer montar um clube de meninos no colégio, e decide que Eikichi será o salvador da raça masculina do colégio, tornando-o líder do clube de natação, posteriormente conhecido como clube de nado-sincronizado. Logo após entram para o clube o revoltado Senichi Kawasaki (Keita Sato), o amigo-das-meninas-um-tanto-afeminado Iwata Iwao (Teppei Koike) E… quem? Quem? Há, achou que era o nerd, né? Não, desta vez é o playboy popular Hideki Sano (Ryou Kimura). E, dessa vez, quem reaparece é o enrustido tímido Saotome, que retorna como professor do colégio.
Cheeegaa de homens de sungaaa!!!!Daí começa tudo de novo, com a mesma linha de roteiro… tudo bem, por mais que você ame nado sincronizado masculino, há de se considerar que, na terceira vez, já cansa um pouco… Mas daí você pensa que acabou e… BANG! Especial Waterboys no verão de 2005! Uhú!
E aí eu cansei, né povo? Mas, enfim… vai ser tudo meio parecido, então falemos das diferenças: dessa vez a história é numa ilha, então problemas como a relação entre as tradições e o progresso surgem freqüentemente. E o nosso ressuscitado da vez é o nerd da primeira temporada da série, Masatoshi Tanaka, que, ao viajar para essa ilha, se torna treinador de três jovens que estão, adivinhem, no último ano do colegial e não sabem direito o que querem da vida… Oh meu Deus, que looping infinito!
CHEEEGAAAA!!!!É lógico que tudo dá certo no final e os meninos passam por maus bocados, mas aprendem o verdadeiro sentido da amizade, da perseverança, do companheirismo e essas coisas todas… E, o mais importante, é o último item da série! Sim, até o presente momento, não temos mais Waterboys!!
Resumindo, Waterboys é uma idéia boa super-explorada. Na minha opinião, podia ter parado no primeiro dorama, com, no máximo, um especial e uns dois, ou três, ou cinco, talvez dez anos depois. Mas vale a pena ver o filme e, se você rir o bastante para querer ver o primeiro dorama, quem sabe não se empolga e acaba vendo o resto (aconteceu comigo, pode acontecer com qualquer um!). Garanto que você terá momentos de muita diversão, algumas horas emocionantes e… bem… se continuar assistindo a série, elas provavelmente se repetirão… e se repetirão… e se repetirão… Ah, que seja, fique com a melhor cena do filme. É, isso, o primeiro.
