fev 10 2009
Under Ground Grand Hotel

Under Ground Hotel (chamada de Under Grand Hotel pelos que sabem aproveitar a vida – palavras do mangá) é uma penitenciária de segurança máxima em Nova York que fica em baixo da terra (underground, duh!), mais exatamente a 30 metros do chão. Ela é dita inexpugnável, e o mangá se foca em um penitenciário nipônico, Sen, que vai parar lá depois de assassinar o marido de sua professora, com quem mantinha um caso.
UGH é, como quase toda as histórias que envolvem prisões, cheio de violência e jogos de poder, retratando a hierarquia existente entre os presos e aproveitando-se disso para unir inicialmente os dois personagens principais da série.
Sen, chega na prisão e tem o “azar” de ficar na cela vizinha a de Sword Fish, o líder dos internos, um negão de moicano e olhos azuis (alow, é um mangá). Assim que se aloja, Sen ouve Sword “aliviando a tensão” com o companheiro de cela. Sen fica levemente surpreso ao saber daquele hábito entre os prisioneiros, mas não de todo chocado. Ao longo do mangá, essa se torna uma característica marcante da personalidade dele, um certo desprendimento quanto aos acontecimentos ocorridos a sua volta ou consigo mesmo.
Sword negão e Sen japaComo quase todo mangá, no começo rola um estranhamento entre os dois personagens principais, um bate-boca e Sword chama Sen para acertar as contas no banheiro (não ainda da forma como você está pensando, seu pervo). Mas Sen não comparece, convencido e impedido por seu companheiro de cela, Lain. É aí que o mangá começa a provar ao que veio.
Sen se mete numa encrenca bem hardcore e termina sendo salvo por Sword, que estava atrás dele para tirar satisfações, e depois o clima entre os dois começa a ficar melhor. Sword acaba por mexer os pauzinhos e transfere Sen para sua cela e o clima começa a esquentar de verdade…
Essa é “só” a cena do salvamento. Imagine quando eles começarem, de fato, a pegação…No começo, Sen ainda tem um pé atrás com tudo aquilo, apesar de não parecer ligar muito para o que quer que aconteça, quando não quer alguma coisa ele é bem firme nisso, sendo assim, não permite Sword chegar às vias de fato consigo. Sword “respeita” isso e os dois começam a lentamente conhecerem um ao outro. Porém, a decisão de Sen muda quando este é atacado por um grupo de prisioneiros e resolve pedir a proteção a Sword, que em troca torna Sen seu. Já que ele é o líder, impõe respeito e ninguém ousaria mexer com o que é do líder. Simples assim.
A história segue por três volumes quentes, intensos e longos. A história vai desvelando e aprofundando para o leitor as personalidades de Sen e Sword, mostrando aos poucos os reais motivos dos dois estarem ali e Sen prova mais de uma vez que não é nem um pouco indefeso. UGH é uma história cheia de reviravoltas e revelações, relata um relacionamento intenso, que começa apenas pela necessidade, e que vai se desenvolvendo, sem que ninguém perceba, para algo mais profundo.
A autora comenta que se baseou muito no seriado Oz para descrever o cotidiano, as personalidades e o dia-a-dia da penitenciária e por isso mesmo a história é pontuada por violência, disputas de poder e a noção de toda uma hierarquia e leis “não-ditas”, trazendo um tom de realismo que pode pegar as pessoas de surpresa.
Qualquer semelhança NÃO é mera coincidência…O traço do mangá é diferente da maioria dos yaois, diria até que a autora tem um traço quase de shounen, embora o Sword seja magrelo demais para ser o shut chall (líder da prisão). Ainda diferindo dos yaois padrões, nenhum dos dois personagens principais é afeminado, representante do “papel feminino” no casal. Ambos são homens em todos os sentidos, que acabam se envolvendo por conveniência (vai ficar preso por anos a fio em um lugar cheio de marmanjo para você ver só) e por fim criam um laço mais profundo do que esperavam. Os personagens são cativantes em suas complexidades e o enredo é muito rico, contando com cenas de tirar o fôlego. Um mangá bem realista – tendo-se em mente que é um mangá -, capaz de comover os mais sensíveis (leia-se: eu), com um final que quase me fez desistir de saber o que acontecia por puro medo.
Bom, se você é fã de yaoi, taí uma excelente dica para fugir da comédia escrachada ou dos personagens afetados. Se você não é fã, leia e depois me diga se não acabou se deparando com algo interessantíssimo, agora, se você não pode nem imaginar dois caras juntos que já fica doente, não chegue perto de UGH, pois o mangá é recheado de cenas quentes. Porém, não só de cenas de sexo animal vive UGH, apesar de tremendamente sexual, o plot dele é forte e essencial, com uma boa trama. Eu diria que é o melhor e mais perfeito balanceamento entre porn e história que eu já vi em toda minha curta vida.
O único problema é que aparentemente esse é um mangá relativamente desconhecido pelo grande público, talvez por ser forte e realista demais, fugindo do padrão alienado do gênero, tornando-o impossível de se encontrar em português (até hoje não ouvi falar de uma tradução).
Não gostou do que leu? Foda-se.(Só porque eu precisava terminar a resenha com essa imagem XD)
Under Grand Hotel

Under Grand Hotel
Lançamento: 2003
Arte: Mika Sadahiro
Roteiro: Mika Sadahiro
Número de Volumes: 3
Editora:Sanwa Shuppan
