ago 10 2010
Trinity Blood

Não sei porque sempre evitei resenhar esse mangá. Mas existe aquele momento em que não se pode mais adiar o destino e aqui estou para, enfim, deixar marcado nessas poucas linhas o universo complexo de Trinity Blood.
A cadeia alimentar de Trinity Blood é mais ou menos assim:
Os animais servem de alimento para os seres humanos, os humanos são o alimento para os vampiros e vampiros são alimentos para os Kresnik. Mas antes de chegarmos a cadeia alimentar desse mangá, vamos a história.

Trinity Blood traz um universo pós-apocalíptico, onde os Terrans (humanos) tentam coexistir com os Methuselahs (vampiros). Mas a história começa muito antes, quando devido ao excesso de pessoas no planeta foi iniciada a colonização de Marte. Como não deveria deixar de ser, os colonizadores descobriram no novo planeta duas tecnologias: os Bacillus, que os transformaram em vampiros, e os Kresniks, aplicados em 4 bebês de proveta. Assim nasceram os Methuselahs e seus predadores, mesmo que ainda não soubessem disso. Quando retornaram ao planeta Terra, iniciou-se uma guerra entre os humanos normais e os vampiros, envolvendo todos numa luta desregrada e perigosa. Nisso, os 4 bebês que já não eram mais crianças, entraram na brincadeira, porém de lados diferentes: Seth, Abel e Caim ficaram do lado dos Methuselahs e Lilith do lado dos Terrans. Guerra vai, guerra vem, o Armageddon chega, Caim enlouquece e mata Lilith, Abel se arrepende dos seus pecados e leva a sua amada para ser enterrada no Vaticano, ficando a chorar por 900 anos.
Mas, enquanto Abel chorava pelo sangue derramado, o mundo ao seu redor tenta se reeguer das cinzas e assim surgem as duas maiores forças políticas e militares, que vivem no limiar entre a paz e a guerra. Do lado dos humanos, trazendo consigo a AX e a Inquisição, a Igreja Católica de Roma, com sede no Vaticano. No lado dos Methuselahs, sob o comando de uma imperatriz muito velha mas ainda fresquinha, com sede em Bizzancium, temos o Império.
Só que como não bastasse tudo isso, ainda temos dois coadjuvantes: a Ordem Rozen Kreukz e a Monarquia Independente de Albion. Assim está montado o cenário para uma luta ferrenha e sangrenta entre Terrans e Methuselahs. Que apesar de toda essa magnitude, nada mais é do que o pano de fundo para a história pessoal de Abel Nightroad, agora um padre do Vaticano, pertencente a AX.
Particularmente, gostei de Trinity Blood por trazer uma trama sanguinária, mas com um enredo realmente bom e um ambiente pesado com toques de comédia muito bem encaixados. As lutas e as intrigas, tudo está conectado, cada acontecimento tem uma razão de existir. A história também mexe com muitas questões religiosas, trazendo a Igreja como uma força militar e política, como fora nos tempos da Idade Média, além de mostrar anjos negros, padres profanos, entre outras polêmicas. O interessante também é ver que nem todos os vampiros são maus e nem todos os humanos são bons. Há uma linha muito tênue entre o que é o certo e o que é o errado, nem tudo é o que parece, as motivações para as intrigas são diversas, é preciso prestar atenção e julgar por si próprio se tal personagem é mocinho ou bandido. O que nos leva ao outro ponto positivo de TB, em minha opinião…
Os personagens são um primor a parte, a começar por Abel, que desde o primeiro capítulo já sabemos ser um Kresnik e apresenta diversas faces: por trás do sorriso bobo e todo aquele jeito atrapalhado existe um kresnik foda, que bate e apanha sem dó nem piedade. Mas, além de Abel, vale destacar a Cardeal Caterina Sforza, a comandante da AX, Esther Blanche, par romântico de Abel e mais uns tantos outros personagens que possuem uma personalidade marcante, mesmo sendo coadjuvantes. Isso é algo realmente incrível num mangá relativamente curto e com tantos personagens como Trinity Blood, trabalhar a trama e os personagens de forma igual sem descuidar dos detalhes, tudo com uma explicação plausível para acontecer.
Abel no modo KresnikE TB não só capricha na parte de enredo, mas também no desenho, que é caracterizado por um estilo bem detalhado sem se tornar pesado ou confuso, o que agrada aos olhos dos apreciadores de belos traços. As roupas e as cenas de luta são todas muito bem trabalhadas, para dar a sensação de veracidade ao desenho, e as expressões faciais dão a sensação de emoção real.

O mangá é baseado na série de light novels escrito por Sunao Yoshida, tem a arte de Kiyo Kuujou e Shibamoto Thores e está sendo publicado pela Panini. Mas há um porém, Sunao morreu antes de concluir a história das light novels, sendo que o projeto continuou com o seu amigo e espera-se agora o final de toda a trama.
