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	<title>Sake com Sal &#187; JBC</title>
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		<title>Avalanche Mangá: Como a indústria acabou com o seu bolso</title>
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		<pubDate>Mon, 07 Nov 2011 23:10:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Black</dc:creator>
				<category><![CDATA[Otaku é a Mãe!]]></category>
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		<category><![CDATA[CONRAD]]></category>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><img alt="" src="http://i.imgur.com/MFtkJ.jpg" title="OEAM" class="alignnone" width="555" height="100" /></p>
<p>Eu não compro muitos mangás. Não desde 2009, acredito, e olha que naquela época eu colecionava uns dez por mês. Minha prateleira está cheia deles, e isso que muitos amigos afirmam ter o dobro, talvez triplo da minha coleção. Não é que não goste, acreditem, adoro e gostaria de ter o naipe deles. É algo que planejo para um futuro distante, mas não agora. Repito: não é que eu não goste, é só que, como muitos dos fãs de quando os mangás surgiram no Brasil, na onda de 2000, eu cresci, fiquei sem dinheiro para colecionar tantos mangás e agora sou obrigado a escolher entre eles. Essa é a história da indústria de quadrinhos e como ela ferrou com os fãs.<br />
<span id="more-22322"></span></p>
<p>Lembro que no princípio era fácil, eu contava nos dedos os títulos interessantes, e muitos deles só vim a conhecer bem depois, quando saí do feijão com arroz: One Piece, Blade, Dragon Ball, Fullmetal Alchemist&#8230; Com 50 reais eu comprava minha feira do mês, o que dava uns 8. O suficiente. Claro, na época a CONRAD ainda respirava e a JBC engatinhava, com seus baratíssimos mangás de 3,90, 4,90. Meio tankobon, é verdade, mas nós que mal conhecíamos os originais, ficávamos contentes de, no final do mês, ter conseguido atualizar nossas coleções. Em um exagerado 2008, eu mais a Sra. Black e meu irmão, gastamos aproximadamente 150 reais para completar o nosso armário. Dinheiro acumulado especialmente pro Anime Friends. E isso deu algo em torno de uns 40, 50 títulos. Hoje, isso dá&#8230; 12? 14?</p>
<p>Faz sentido. A CONRAD ficou em coma, após uma ingestão bizarra de algumas drogas pesadas, mas a JBC cresceu, se tornou gigante, e entrou no ringue com a Panini, a empresa ítalo-brasileira que domina os quadrinhos, sendo seguidas de perto pela pequena e excêntrica NewPOP. Com isso, aqueles poucos título, que somavam no máximo uns 15, se transformaram em milhares. O checklist da Panini e da JBC todos os meses é bem colorido, variado, com uma certa presença de Shounens (pra não dizer supremacia), e alguns poucos títulos laboratoriais, que estão dando algum resultado, apesar de pequeno ainda. Isso quer dizer que não só temos que peneirar pra separar alguma coisa, mas escolher pelo preço também. Os meio tankobons cresceram e seus 4,90 viraram 10,90. Ouch.</p>
<p>E não são títulos pequenos. Naruto, Bleach, D.Gray-Man, Fairy Tail e agora Air Gear, pra citar só uns poucos, estão todos os meses ali, pedindo para serem comprados. Se considerarmos que existem os títulos inertes, por algum motivo parados que podem retornar a qualquer momento, como Nana e Trinity Blood, a lista é enorme. E aos poucos eles foram um devorando a fatia dos outros. Qualidade é um termo divisório, mas nem por isso obrigatório. A escolha fica mais a ver com afinidade mesmo.</p>
<p>Entra então um problema: Se a indústria cresce pelo número de compras, como ela vai conseguir crescer quando a competição que ela própria criou é o motivo pela queda de vendas? O paradoxo teria uma explicação boa se o número de compradores estivesse aumentando exponencialmente, mas não é o caso. Não existe uma pelo tremendo para os mangás, assim como não existe para os quadrinhos. Para cada novo comprador, existem dois ou três antigos que são obrigados a abandonar o vício pela falta de verba. E a televisão não ajuda nesse quesito. Assim, o que engorda os cofres da Panini é também o que mata. Começa então a apelação.</p>
<p>Foram anunciados, ainda que não confirmados e batizados, volumes definitivos de clássicos como Sakura Card Captor e Samurai X, ou seja, títulos que esgotaram na época em que era barato comprar mangás, e que agora podem ser novamente aproveitados, ocupando o espaço dos títulos estagnados. Legal para quem não pode comprar antes? Até que é&#8230; Mas não deixa de ser a mesma coisa que a CONRAD fez antes com Dragon Ball, Blade, Vagabond&#8230; Não renova o mercado, e sim recicla produtos parados. E não, isso não é melhor do que trazer mais novidades para terminar de inundar. Se assim fosse, preferiria que renovassem One Piece, o que parece estar longe de acontecer.</p>
<p>Existem os sebos, óbvio, e muita gente acha que é reduto de material velho, usado, e feio, mas não. Muitos mangás consegui, em edições bem novinhas, através dessas maravilhas dos clientes insatisfeitos e agradeço por existirem. Novamente, não é solução, claro. Se um título vai massivamente parar em um sebo, como é o caso de alguns mangás mais antigos, é sinal de que as pessoas compram para experimentar, e não ficar segurando, não são coleções. Faz pensar.<br />
Não digo que a avalanche é o único mal dos nossos mangás. Outros problemas, como adaptações ruins, descaso das editoras ou mesmo a queda do poder aquisitivo (sim, já foi mais fácil usar 50 reais para comprar alguma coisa) podem ser tão ou mais perigosos quanto. Ainda assim, é preocupante ver que o mesmo número de mangás na checklist de uma só editora era o mesmo que, há uns três anos, encontrávamos em todas juntas. Um dia conseguirei comprar tudo que quero.</p>
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