Streaming de animês: a polêmica

Então… Essa semana fomos surpreendidos por uma teoria da conspiração que se mostrou verdadeira.

Pois é, queridos leitores, a JBC lançará streaming de animês no Brasil. Quando? Não sabemos ainda. Como será? Ainda não se tem muitos detalhes. Quanto custará? Incógnita. Quais os animês? Só a JBC que sabe. O que isso significa para nós? É o que vamos discutir aqui!

Eu fiquei dividida entre duas emoções: por um lado isso é ótimo para o mercado de animês, por outro, é ruim por causa das dificuldades técnicas e financeiras.

Mas como essa notícia pode ser boa? Simples. Com a chegada do streaming de animês ao Brasil e se houver boa aceitação do público, o interesse do mercado de produtos licenciados pode favorecer e muito os fãs. Quem nunca pensou em, por exemplo, comprar um mangá e ganhar algum furoku de seu mangá favorito? Ou então ter enfim mais opções de lançamentos de DVDs, Blu-rays, OVAs, Soundtracks, Artbooks, entre outras parafernálias sem que seja preciso recorrer a importadoras e aguentar os preços muitas vezes abusivos dessas importações?

Sim, isso tudo é possível se, através do streaming, a JBC provar com números (e lucros) o tamanho que o mercado otaku pode alcançar aqui no Brasil. A maioria de nós sabe o quanto esse nicho de mercado é subaproveitado em nosso país. No Japão, os produtos derivados de mangás, animês, tokusatsus, doramas e afins é enorme e movimenta uma quantia razoável de dinheiro. Aqui seria bom para os fãs de cultura japonesa, para as empresas e porque não dizer, para o país?

Outro lado bom do streaming seria a diferença de apenas algumas horas em relação a exibição dos animês no Japão, com boas legendas (é o que se espera) e qualidade de imagem (outra coisa que se espera), evitando assim que tenhamos que esperar horas por uma episódio de média qualidade e com legenda ruim, ou dias por um episódio de ótima qualidade com legenda de razoável a boa.

Porém, considerando que será a JBC a fornecer este serviço, fica no ar a dúvida do quão boa será a legenda (ou dublagem, já que ainda não se tem estes detalhes), visto que a editora é conhecida por suas traduções de qualidade questionável. E a preocupação com isso aumenta já que essas poucas horas de diferença podem fazer muita diferença na hora da tradução, mesmo que se utilize o sistema do Crunchyroll.

Outra fator que está deixando a todos agitados é o catálogo de animês a serem exibidos e se este serviço será como o da tv paga, onde você compra 3 canais legais e 200 canais ruins. Trazendo para nosso mundo otaku, seriam 2 animês de sucesso e outros tantos desconhecido e obscuros (nota do revisor: desconhecido e obscuro nem sempre é ruim). Uma possível solução para isso poderia ser um sistema de créditos ou de “self-service”, onde você escolheria quais animês assistiria pagando certo valor mensal, assim poderia, por exemplo, escolher aquele famoso que acompanha e alguns mais desconhecidos que queira conhecer. Isso seria melhor do que comprar um pacote fechado onde você só assistirá 2 animês, por exemplo.

E isso nos leva ao valor do serviço. Considerando que os mangás da JBC são no formato de meio Tankõbon, folhas internas de um papel não identificado, mas parecido com jornal e custam R$6,90, não acho que a editora goste de fornecer serviços muito baratos, considerando que na concorrente se compra um mangá no formato de Tankõbon por R$9,90 e com um papel de média qualidade. A qualidade fará jus ao preço?

Se parte das dúvidas sobre este projeto vem da atuação da JBC, as outras derivam de detalhes técnicos relacionados aos serviços de internet brasileiro. E digo isso por exeperiência própria. São poucas as opções de serviços de internet no Brasil e quando se deixa as grandes regiões metropolitanas e se avança para o interior, as opções diminuem ainda mais. Não bastando isso, os valores cobrados por serviços de média qualidade são altos, sendo assim muitas pessoas optam por um serviço de baixa qualidade, com um valor mais compatível com seu orçamento, porém muitas vezes insuficiente para suportar um serviço de streaming. Isso se aplica ao meu caso, infelizmente.

Mas e o horário também não é um problema?

Sim, é bem possível. O streaming apesar de conseguir armazenar em seus servidores diversos arquivos velhos e estes podendo ser gravados em um HD especial, também possui a característica de permitir transmissões únicas. Sendo assim e conhecendo a JBC como conhecemos, fica no ar a dúvida: será que para gerar mais renda ou simplesmente por pura preguiça ou má qualidade do serviço, a JBC realmente irá permitir o acesso aos animês fora do horário “oficial” de transmissão? Poderemos assistir os animes quando quisermos ou vamos ficar vitimas da transmissão ao vivo? E com a compra dos direitos de transmissão desses animês pela JBC, os fansubbers ficariam então impossibilitados de legendar e fornecer os animês para download e posterior exibição, complicando a vida de quem tem algo o que fazer.

Nem entrarei aqui na questão de pagar ou não por algo que já se tem de graça, pois isso vai da consciência (e do bolso) de cada. No meu caso, o streaming não seria uma boa opção, devido à baixa qualidade dos serviços de internet fornecidos em minha região e ao fato de ter apenas aquele horário para assistir. Se o serviço de streaming vier com um serviço de armazenamento de arquivos, como uma espécie de biblioteca digital, permitindo que o usuário tenha um acesso posterior a mídia em formato completo e para assistir quantas vezes quiser, no horário em que quiser, eu apoio (nota do revisor: a.k.a. TiVo?).

Agora só nos resta esperar o desenrolar dessa história e qual será o verdadeiro impacto nesse nosso pequeno grande Mundo Otaku.

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Para entender e conhecer mais sobre streaming: O que é Streaming?

Bruna

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