ago 3 2009
Shounens sob a ótica feminina: Shurato

Este artigo faz parte de uma série, que você pode ver clicando AQUI.
Shurato sempre foi visto como uma tentativa não tão bem sucedida de desbancar Cavaleiros do Zodíaco.
Claro que isso na visão masculina predominante que sempre se tem sobre um shounen.
Mas, do ponto de vista de uma garota, que se você ainda não percebeu, eu sou uma garota, Shurato é um clássico de proporções mitológicas que tem uma história que beira os contos de fada.
Dá para imaginá-lo como uma Alice?Shurato, que além do nome do anime, é também o nome do personagem principal, fato este que se deve a falta de imaginação de certas pessoas, tem um quê de Cinderela misturado com Alice.
Porque acho isso é o que você me pergunta.
Porque, primeiramente ele é transportado para outro mundo, tal qual Alice é levada ao País das Maravilhas, e neste novo mundo, Shurato é levado a conhecer sobre si mesmo e sobre o amor… E assim como a Cinderela, ele se torna um membro da realeza: Rei Shura.
Todo o anime é uma releitura do desafio de autoconhecimento e descoberta da puberdade. Tirando as lutas e o lado machista da história, claro.
Depois dessa pequena introdução sobre o anime, pelo ponto de vista de uma garota, vou falar sobre o que realmente quero falar: as personagens femininas de Shurato!
Vamos começar pelo par romântico de nosso herói aliciano.
O primeiro beijo do casal.Rakesh é romântica, meio bobinha e poderosa. Apaixonada por Shurato, ela é a sucessora da deusa Vishnu.
Olhando assim, não parece ter tanto poder.A princípio se mostra uma personagem tipicamente kawai, porém, sua força de vontade é mais surpreendente do que todas as batalhas do anime juntas. Apesar de Shurato aparentemente não corresponder seu amor, ela não desiste de ajudá-lo e sempre está ali, do lado dele, para curar a todos que necessitam.
Shurato, por favor, não precisa tirar a roupa da menina…Rakesh representa neste anime a força feminina que reside no amor e no coração, algo raro em animes desse tipo.
Outra personagem feminina que mostra sua força é a guerreira Lengue.
A única mulher entre os guardiões, Lengue é apaixonada pelo mestre Indra e mesmo sabendo que ele era o responsável pelo ocorrido com Vishnu, ela lhe era fiel.
Lengue, a bela guardiã de Vishnu.Lengue mostra o lado passional mais extremado da personalidade feminina, que é capaz de levar até as últimas conseqüências uma paixão. Sua paixão era avassaladora, levando-a a deixar sua missão como guardião de Vishnu para defender Indra, tentando matar os outros Guardiões.
Triangulo amoroso tipo “Quadrilha”.Porém, como em uma tragédia grega, Lengue não é correspondida em seu amor por Indra e ainda assim é capaz de morrer por ele. Protagonizando uma das histórias mais romanticamente trágicas que eu já vi em um anime.
Por último, mas não menos importante, temos Vishnu, a deusa da criação, protetora do mundo celestial.
Vishnu em toda sua majestade e divindade.Ela representa o lado mãe da mulher, que ama seus filhos apesar de seus erros, e sempre está disposta a defende-los e perdoá-los.
Vishnu também é uma personagem de grande poder e tem sua força baseada na beleza, algo muito relacionado ao universo feminino em geral.
Essas três personagens demonstram que a mulher também tem força e não precisa usar mini saias e se vestir como uma colegial para lutar e defender aquilo que ama.
E representação três visões diferentes do universo que é cada mulher: a donzela, a mulher e a mãe.
Num anime que deveria ser machista, encontrar algo assim é uma grata surpresa, visto que num shounen, as mulheres geralmente são representadas como donzelas com pouca roupa, desprotegidas, prontas para entrar em uma confusão e então serem resgatadas pelo herói, numa demonstração de força e superioridade masculina.
Lengue, Vishnu e Rakesh, minha mais profunda admiração para vocês…
