Shounens sob a ótica feminina: Dragon Ball Z

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Este artigo faz parte de uma série, que você pode ver clicando AQUI.

Conheci DB quando era uma pequena pimpolha de nove ternos aninhos, acordada cedo em um sábado monótono, assistindo Sábado Animado no SBT. Pra que? Ganhei um vício.

Então eu cresci (não muito) e tcharam, descobri que existia algo chamado Dragon Ball Z. Eu não entendi qual era a do Z (e até hoje não entendo e tenho preguiça de pesquisar), mas entendi que o Goku, pequeno e fofo, havia crescido e se tornado um cara grande, musculoso e com o mesmo cabelo pohaloka. Vi também que ele havia casado e tido um filho e, no auge de meus doze anos me senti traída. Sim, traidíssima. Quer dizer, cresce grandão daquele jeito, casa, tem um filho e nem para me avisar?

Esquizofrenias à parte, a redescoberta de DBZ veio para ampliar ainda mais a minha admiração pela série. Sou suspeita para falar, pois sempre gostei de cenas de luta (às vezes mais que meninos), mas o que me admirava muito em DBZ era o humor. Eu rolava (às vezes literalmente esquizofrênica) no chão de tanto rir com as tiradas da série. Como toda criança clichê, o Goku era meu personagem favorito e eu não ia muito com a cara do Vegeta. Achava-o um chato.

Isso tudo estava para mudar quando começou a fase do Cell. Assisti a essa fase já um pouco mais velha, e na época da pré-adolescência/adolescência os hormônios estão a flor da pele e a pessoa muda não só de humor o tempo todo, como de opinião.

 Oi, esse é o Cell voltando do supermercado.

Vegeta entrou para o Hall das “coisinhas-fofas-de-titia” ao aparecer ao lado da Bulma com sua blusa rosa escrito Bad Man atrás.

 Como você pode continuar levando a sério uma pessoa dessas?

Mas essa, meus caros, nem foi a mudança principal. Continuei gostando sim do Goku, mas apareceu em cena alguém capaz de desbancá-lo do meu coração: Mirai Trunks.

Vamos, analise pelo olhar de uma adolescente de 14 anos nerd, um menino lindo, jovem, voz bonita, meio sério, calado, levemente inocente, menos exageradamente musculoso que os outros, olhos azuis, blusinha colante, cabelos roxos, jaqueta curtinha e luta com espada! Cara, um prato cheio. Quase um fanservice para as meninas.

 Mais pegael IMPOSSÍVEL.

Gente, chato confessar isso, sabe, mas, como menina assumidamente nerd, tenho quase como dever moral colocar isso para fora… Bem, lá vai: Trunks foi o meu primeiro amor. Prontofalay.

Sabe quando aquelas adolescentezinhas cismam de se apaixonar por um ator, cantor, garoto-mais-bonito-e-mais-velho-do-colégio, ou qualquer outra coisa dessas impossíveis que só as adolescentes (e pessoas com algum grau de retardo mental) são capazes? Pois é. Eu tive a minha fase. E nela estava o Sr. Trunks. Eu tinha posters dele pela casa, eu desenhava ele, inventei uma personagem para se casar com ele e ter filhos com ele, páginas e páginas de desenho sobre os dois e sua família feliz. Por que né, eu era uma garota e tinha 14 anos.

Para ser sincera, eu iniciei minha carreira de desenhista com DBZ. Tenho guardado até hoje os desenhos dos Gokus e Trunks cabeçudos. O Goku foi até capa do meu trabalho da sétima série de português (sim, WTF?).

Inclusive, DBZ é o grande culpado por até hoje eu não conseguir desenhar mulheres direito. Mas se for para colocar a culpa em DBZ, vamos logo dizer que esse anime é o culpado por eu ter me enveredado pelo mundo otaku, afinal, foi ele que me atraiu para o Band Kids com aquela apresentadora japa, que até me ensinou o que era um anime (gente, eu não sou da época de computador na infância!).

 Oe japa gatenha. Bejosmeliguem ;*

E também foi DBZ que me trouxe para o lado arco-íris da força do fandom. Um dia, na minha santa inocência, resolvi buscar fanfics de DBZ (já que uma amiga lia fanfics de Inuyasha e eu lia junto só de onda). Acabei por me deparar com uma Goku/Vegeta, onde o Goku caía na fonte de Ranma ½ e virava mulher. O resto vocês podem subentender. Bom, eu achei aquilo a coisa mais hilária do mundo e resolvi ler também o “tal do yaoi” sobre Inuyasha, Harry Potter e… bem, aqui estou eu.

De qualquer forma, voltando ao Trunks… Minha tara juvenil por ele foi tão grande, que, mesmo o fanatismo por ele tendo sido deixado há muito, adquiri uma séria e eterna tara pela voz do dublador do Trunks. Senhor Marcelo Campos é o nome dele. Já moça feita, fui em um evento de anime e encontrei esse simpático senhor por lá. Fiquei histérica. Digo logo e aviso, fiquei mesmo. Sentei do lado dele no sofá (é, tinha um sofá onde ele tava dando autógrafos) e ficava aloka toda vez que ele falava com as pessoas com aquela voz LINDA do Trunks. Pedi autógrafo dele e coloquei no quadro em casa, ao lado das fotos da família, do namorado e do primeiro pacote de figurinha do álbum de Harry Potter. E não sei até hoje se a minha tara pelo Zoro de OnePiece é o meu sub-consciente falando que o dublador é o mesmo do Trunks.

Tudo bem, já queimei todo meu pseudo filme em um único post… Mas, voltando à DBZ, Mirai Trunks determinou o tipo de menino que eu passei a gostar o resto da minha adolescência (tirando o cabelo roxo). O que não foi tão benéfico assim já que, sendo sincera, não ponho a minha mão no fogo pela masculinidade dele. Antes que perguntem, eu disse adolescência, e ela (infelizmente) já passou.

E bem, fica claro que, um anime cheio de homens musculosos que ADORAM ter suas roupas rasgadas ao longo do episódio, com quase nenhuma mulher por perto para roubar a cena, lutando para salvar o mundo uma forma heróica e altruísta (ou de uma forma pretenciosamente mesquinha, no caso do Vegeta), agradam meninas sim senhor! Só não direi todas porque odeio generalização. Mas foi Dragon Ball (Z) que trouxe essa menina aqui para o mundo Otaku. E não Sailor Moon ou Sakura Card Captor.

Afinal, às vezes meninas podem gostar de assistir animes shounen com outras intenções. As mesmas que levam um menino a gostar de Sailor Moon e suas sainhas curtas ou Love Hina e suas inquilinas que tendem a aparecer despidas.

Agora, imagina um anime sobre guerreiros musculosos vestindo sainhas curtas e tendendo a ficar quase nus. Legal, né?

 NOT.