Shounens sob a ótica feminina: Cavaleiros do Zodíaco

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Em minha defesa, tenho a dizer que não assisti CDZ na Manchete.

Já vou me justificando porque, talvez, isso faça toda a diferença. Eu já era grande e já conhecia altas referências e opiniões alheias sobre o anime antes de assisti-lo. Meu melhor amigo achava o máximo, irado, demais, superdupa supimpa. Minha melhor amiga se lembrava apenas que o Shun era gay e tinha um caso com o Ikki.

Então um dia esse anime voltou a passar no Cartoon Network, mas como eu não tinha esses luxos de tv por assinatura, um amigo muito nerd simpático começou a gravar os episódios em VHS (oi, sou velha) e a me emprestar sempre que a fita enchia. Foi então que conheci esse inegável clássico.

Mas antes de pular para tão longe, vou contar a vocês algo muito relevante, minha primeira memória acerca de CDZ. Eu estava na casa de um amigo e passava CDZ na televisão, lembro até hoje da cena: Hyoga morrendo. Claro que isso não ajuda muito, já que o que o Hyoga mais faz é morrer. Mas o importante é que eu só lembro dessa cena por dois motivos: 1. O Hyoga era loiro de olhos azuis; 2. Tive uma seríssima discussão com esse amigo sobre o fato do personagem ter morrido ou não. Como ele estava de olhos abertos meu amigo insistia que ele não estava morto, já eu, obviamente mais madura, tentava convence-lo de que as pessoas não fechavam os olhos para morrer.

De qualquer forma, o personagem que eu mais lembrava não era o MORRA Seiya, mas o Hyoga. Não porque ele tinha o melhor golpe, a armadura mais foda ou ganhava todas as batalhas, mas porque ele era… loiro de olhos azuis. Pois é.

 Oi bonitão, você vem sempre aqui?

Bom, então, assisti o anime de verdade. Se quer saber a impressão que tive, foi como assistir um Bob Esponja das antigas. Antes que você fique raivoso e queira arrancar meu rim pela minha insolência, eu… bem… uhn… Ah, não tem justificativa, CDZ é engraçado pra burro, me fez rolar no chão de tanto rir. E só DBZ e Bob Esponja conseguiam esse efeito.

 Pronto, Bob Esponja versão anime. Só falta agora colocar armaduras e…

Há pessoas nesse mundo que levam a vida muito a sério. Eu não sou uma delas. Todos os meus animes favoritos são de humor (pelo menos têm humor na maior parte do tempo), então creio que, mesmo se tivesse assistido CDZ na infância, ao reassisti-lo depois de velha eu perceberia sim o quão hilário ele é.

Até hoje eu não sei se o Masami Kurumada é um gênio do humor ou se ele fez CDZ a sério mesmo. Só que não consigo acreditar nessa segunda hipótese. Pelos deuses, impossível alguém conseguir fazer um anime TÃO engraçado sem querer. A parada é quase tão genial quanto Bob Esponja!

 O cara parece o Jackie Chan e você ainda quer levá-lo a sério?

Antes que você feche a janela ou queira me jogar uma pedra, reveja esse anime tirando o manto de lenda da sua infância inocente e tola.

Primeiro são os closes em ângulos estranhos nos rostos dos personagens nas cenas de tensão. A musiquinha dramática de fundo e… o rosto de Athena visto de baixo parecendo uma panqueca radioativa. Céus, é impossível não rir.

Ou então as falas aleatórias ditas em momentos estranhos. A risada do mestre do santuário: Hehehehehehahahahahaha CARA, eu rio só de lembrar!

Ou então aquela história do Shun aquecer o Hyoga com o próprio corpo. Gente, sério, vocês com mais de 12 anos ainda levam uma coisa dessas a sério? Ou então aquilo de cada Cavaleiro de Ouro ser o “mais alguma coisa” do zodíaco. Um era o mais poderoso, outro o mais perto de deus, outro o braço mais forte, outro o mais fiel e o Afrodite o mais… formoso.

 É formosura dimais da conta, sô!

E a última prova para chegar ao mestre do santuário? Passar por um mar de rosas assassinas que sugam seu sangue? Ou então quando o Shun tá subindo uma escadaria (que por sinal são sempre longíssimas) com sua armadura rosa com seios embutidos e fala “eu sou homem!”. Não, tem um limite… e sério, é de matar de rir.

Olha, eu gosto da série sim. Adoro, na verdade. E nem sou fã do Hyoga, como pode ter parecido no começo do texto. Na verdade eu gosto do Ikki. Ele é o maior blasé, tá cagando pra todo mundo e só aparece no final para salvar a bunda dos outros sem nem estragar o penteado para depois sumir de novo. Enquanto o Hyoga morre, o Seiya fica ferrado (mas NÃO morre) e o Shiryu arranja um motivo para tirar a roupa e/ou ficar cego.

 Ready to kick you ass, modafoca.

Saindo do mundo do anime, eu coleciono a Saga G, acho lindo o detalhismo do artista na hora de desenhar as armaduras, mas na minha opinião o Lost Canvas é o melhor. O traço é bonito (não tosco e sem perspectiva como o original) e não é exagerado ou feminino demais para uma série shounen, ele é limpo e às vezes me deixa até sem fôlego em alguma cenas fantáticas. Embora nas cenas mais de ação eu ache que ele dá uma escorregada na “perfeição”, Lost Canvas continua dando de 10 x 0 nas outras versões de CDZ.

De qualquer forma, esse é incontestavelmente um anime digno, um clássico dos clássicos. Afinal, dele se tira ótimas piadas internas otaku como MORRA SEIYA ou a dancinha que cada um faz antes de soltar os golpes.

Eu só sei que amo CDZ. Ainda que pelos motivos “errados”. Mas vai, é divertido demaaaais!

 São dois meninos? Gente, nem reparei!