Shounen-Homem X Shoujo-Mulher?

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Definir se um animê é shoujo ou shounen sempre foi um grande desafio. Antigamente, era mais fácil descobrir à qual lado da força certa história pertencia: romances é shoujo, lutas é shounen. Ponto.

Porém, como bem lembrou o Black, esse limiar está cada vez mais confuso, e os estilos se misturam de um jeito que definições já não bastam. Tem que se “estudar” profundamente o animê/mangá para determinar se é shoujo ou shounen.

Os estilos estão cada vez mais próximos, um mangá/animê shounen, em certos episódios mais parece um shoujo e vice-versa. Hoje, a maioria das classificações de animês não definem mais apenas em isso ou aquilo, mas traz certas características mais marcantes, definindo se a história tem comédia, drama, nonsense, entre outras.

Se a definição do que é shoujo e do que é shounen já quase não existe, por que então dizer que shoujo é para mulher e shounen é para homem?

A definição e separação dos animês vem de um tempo em que apenas os garotos gostavam de animação, já que todo o mercado editorial e televisivo focava no sexo masculino suas escolhas de produtos. Enquanto os meninos se divertiam com personagens mais durões, as meninas se contentavam com a Barbie e Cavalo de Fogo, não que a Barbie não continue sendo o sonho de consumo da maioria das meninas e Cavalo de Fogo não fosse um bom desenho, mas éramos limitadas a isso. O conteúdo com violência a que tínhamos acesso era praticamente nulo, o conteúdo romântico dos garotos se limitava a um “E ai gats? Vem sempre aqui?” jeito machão de conquistar uma garota.

Particularmente, também gosto de shounen, assisto e leio. Isso porque foi um dos primeiros estilos a chegar até mim, através de CdZ, DB, Shurato, Yuyu, Dragon Quest, entre outros. E foi apartir deles que comecei a gostar de animação japonesa, antes mesmo de saber que era japonês. Os shoujos chegaram a mim tempos depois, primeiro com Sailor Moon, depois com Sakura Card Captors, Tenchi Muyo, entre outras obras. E mesmo que assista shounen, não me torno menos mulher por isso. Assim como um homem que gosta de shoujos não se torna menos homem por isso. É quase a mesma tecla que venho apertando desde o texto passado, mas é porque ainda hoje se pode encontrar esse tipo de delimitação. É mais fácil para uma garota gostar de animês shounen, considerados para macho, do que para garotos assumirem que gostam de shoujos. Em um mundo onde a globalização e a internet permitem o acesso a uma cultura totalmente diferente da nossa, em poucos segundos, é intolerável que tal preconceito ainda exista.

E acredito que até mesmo os mangakás perceberam isso. É só prestarmos atenção no tanto de histórias que não podem mais ser definidas como shoujos ou shounen, porque mesclam características que são marcantes de ambos. Poderia pegar como exemplo algumas das obras do CLAMP, mas o Black já fez isso, por isso, vou pegar duas obras que gosto imensamente: Trinity Blood e Fullmetal Alchemist.

Ambas as histórias possuem elementos de luta, conflito, morte, sangue, e ainda assim tem dramas pessoais, romances e casais. E são de ótima qualidade. Sabem desenvolver bem todos esses elementos sem se perder na história. E agradam garotos e garotas. Agora me diga, eles podem ser definidos apenas como shounen ou como shoujos? Definitivamente não. Apesar de serem vendidos sob a máscara de shounen, talvez pelo aspecto mais violento, que não é tão encontrado em obras shoujos.

Sendo assim, a definição por gênero era até concebível no passado, quando as histórias possuíam apenas elementos de certa categoria, deixando que certos aspectos fossem apenas citados, não desenvolvidos. Mas agora isso não cabe mais. Hoje em dia, histórias bem resolvidas possuem certo teor de violência, mas não esquecem do fator de drama humano, tratado de forma aguçada e bem trabalhada.

Fico feliz que os tempos estejam mudados, porque assim posso assistir meus shounens sem que seja taxada de menina-macho, e os garotos podem assistir os shoujos sem que por isso digam que são frescos.