Ranzismo: O Carma da Experiência

Rabugice

Teve uma época dos filmes em Hollywood que todo homem “experiente” (pra não dizer VELHO) tinha algumas características padrões: Solitário, ranzinza, carrancudo. Essa época passou, mas o exemplo parece infectar todos os velhos de guerra, seja na música, nos quadrinhos, no cinema… Sabe aquele papo de “na minha época não tinha disso” ou “quando eu assistia não era assim”? Pois é… Incomoda pra caramba, certo? A “velha guarda” e sua rabugice, incapaz de aceitar as mudanças que ocorreram desde os “idos de 1930″. Se vocês não entenderam a comparação, vou ser curto e grosso: O pessoal de Dragon Ball, Cavaleiros do Zodíaco e outros derivados dos anos 90 já cansou. E muito.

E eu não falo daqueles que têm em casa os bonecos originais, fitas gravadas dos episódios ou os mangás que a CONRAD lançou no começo da nova era mangá no Brasil. Eu falo dos que compram pôsteres, usam camisetas e vão a eventos ou fóruns apenas pra acompanhar as “novidades” sobre suas séries favoritas e falar mal das que vieram na geração seguinte. “Mimimi, Naruto é o exemplo dessa geração”, “Bwahahahaha, só vocês pra dizer que D.Gray-Man é bom” e “Pff, Bleach? Bom mesmo era DBZ” são os discuros que eles usam. Não é só revolta com essa visão velhaca, é um reclame contra esse retrocesso. O pior: A ladainha infecta até quem ouve, fazendo com que esses novos fãs se sintam preparados para denegrir a imagem dos clássicos.

Aí você pensa nos trolls que você conheceu na última vez que foi ao Anime Friends (mui amigos, por sinal) ou naquele grupo de preto que te abordou na primeira vez que você visitou a casa de um amigo otaku e que malhou a pau porque você estava com uma camiseta de Death Note. Com um ambiente hostil, que tipo de novos otakus você espera criar, afinal? É claro que, ou outros revoltados sairão e mudarão seu nome para Diogo e começarão a escrever em um site de cultura japonesa ou aqueles cabeças de vento que estamos cansados de ver por aí, com uma opinião que segue a da maioria SEM se importar com o que os outros dizem (como ELES afirmam). Ou seja, só porcaria.

Por ano, ao menos duas ou três séries de sucesso terminam, umas muito bem, outras encerradas porque seu público não conseguiu mantê-la. Foi o caso de Shaman King, uma série que tinha sim um grande número de seguidores, mas uma quantidade ainda tímida perto dos fãs em número obeso das outras grandes séries. Inevitável, porque o mercado dos mangás é extremamente ignorante e violento. Tornar ainda pior com essa proteção em volta de obras não tão consagradas assim (tudo bem, Cavaleiros é bom, mas já deu no saco essa de “Por Athena!”, não acham?) é burrice, além de dificultar que boas séries se desenvolvam.

Assumir um partido é diferente de ser o partido. Você aparecer no meio de uma discussão séria só para dizer que “quando você era jovem” (o que parece fazer muito tempo, não?) é o cúmulo da falta do que fazer. Se tem tempo para isso, que vá até um sebo recuperar as primeiras edições dos seus mangás favoritos ou quem sabe conhecer algo novo por apenas R$2,50 (sim, existem sebos assim). Deixa quieto quem está aproveitando o que gosta. Agora, se eles vierem até você… Pode sacar o porrete e chamar pra uma conversinha…