jun 14 2010
Post censurado: Ocidente
Como sabem, nos últimos anos o Japão têm limado certo conteúdo de sua programação de animês (como eu disse há algum tempo), e sua última empreitada foi diminuir a quantidade de moe, pela alegação de isso incitar a pedofilia (faz sentido, mas se for assim, deveriam sumir os filmes de guerra). Só que no Ocidente isso já ocorre há alguns… Milênios?
Sejamos justos, quem aqui que assistiu Dragon Ball na infância reparou que haviam certos cortes bruscos em algumas cenas? Podemos citar que em uma das versões mais atuais, todo aquele início com Goku peladão (e convenhamos, era um pirralho feio pra diabo) assim como os peitos da Bulma simplesmente sumiram. Assim, quando Yamcha tentou pegar duas Dragon Balls e encontrou macios pedaços de carne (que ele acabou mais tarde pegando de qualquer jeito, se é que me entendem), não fez sentido sua paralisia. Ou quando Mestre Kame foi ludibriado por Bulma e Oolong e acabou vendo peitos falsos… Ah, vocês entenderam!
O caso é que o Ocidente suaviza há muito tempo os animês que importam, retirando alguns litros de sangue (que vende pro Tarantino pra ele fazer Kill Bills…), tornando compreensível pros americanos (nós, cara-pálida) e também tornando mais ameno para as crianças, o eterno público-alvo, mesmo quando o dvd do animê vem com um enorme 16+ estampado na capa (yo no compreendo japonês, né?). Ok, certas adaptações se compreendem, mas censurar um episódio INTEIRO de Pokémon porque um texano aponta uma arma pra Ash e Cia. para proteger a área do Camping? Diacho, alguns anos depois outro texano apontou MÍSSEIS para revidar o que alguns extremistas fizeram em suas torres gêmeas! “Black, você está pegando pesado, não confunda…” Não confundir o quê? Realidade e ficção? Oras bolas, é exatamente esse tipo de pensamento que tem feito da geração atual tão fraca de argumentos.
Lembram quando falei de Looney Toones no último texto, citando a cena do Hortelino e as explosões na cabeça do Patolino? ISSO foi permitido durante anos (e se não me engano, até metade da década 00) na televisão tanto dos EUA quanto daqui e ainda tinham a cara-de-pau de censurar um animê que mal tinha violência. Caso-mór é One Piece, que não só perdeu sangue e pedaços inteiros de episódio como ganhou armas-de-água, suco de laranja (no lugar de rum e cerveja), pirulitos e um personagem com um incrível torcicolo que travou totalmente seu maxilar (e de onde sai uma fumaça esquisita o tempo todo). Se isso não foi motivo suficiente para a tripulação de Ruffy naufragar no Ocidente, ao menos retardou em alguns anos seu sucesso.
E então temos uma geração nova de animês com a Disney entrando totalmente no mercado (já ouviram falar dos dois animês de Stitch, aquele alien de Lilo & Stitch, não é?). A 4Kids em sua queda sinuosa cada vez mais profunda e um bloqueio forte contra os subbers e scans, para acabar com a pirataria (a única forma decente de existirem fãs de animês e mangás pros lados de cá). Se continuar nessa maré, em poucos anos os otakus serão seres completamente suburbanos, tendo de “traficar” os dvd´s para que possam assistir o que gostam sem precisar passar pelo crivo das produtoras e exportadoras… E isso que nem falei da Globo e cia.
Ah, a Globo, emissora que permitiu que muita gente visse Sakura Card Captors, Dragon Ball Z e GT, Digimon… Pode parecer até besteira, considerando que foi uma das emissoras mais fortes em questão de animê e que tirou a barreira que envolvia os canais à cabo, mas não se pode dizer que esse pessoal realmente tenha assistido esses animês. Digo, se você assiste em 15 minutos um episódio de 22, há algo de muito errado nas contas de alguém. E, realmente, a empresa Roberto Marinho fez uma pequena… Modificação… Nos episódios que transmitiu. Ao menos quando víamos na Band os animês B que trazia, eles eram fiéis. E pensar que em uma época não tão distante havia uma deusa chamada Manchete, que passava animês inteiros de forma completa, sem censura, em um bloco U.S.Mangá… Tá, foi uma transmissão meio porca, um tanto desordenada, mas havia como se chamar de sessão de animê de verdade né? E se nosso futuro residir nos chamados blocos de animê do Cartoon Network, ou em canais da Animax. Coitados de nós…

