Post censurado: Japão.

Eu vejo Seikon no Qwaiser. Mais alguém vê? Você? Não? E você? Também não? Tudo bem, é pouco provável que muitos tenham avançado depois da explosão de ecchi do primeiro… E do segundo… Bom, de todos os episódios. E mesmo quem avançou não deve ter muita coragem de admitir. Fazem mal, é um bom animê, na maior parte do tempo. Ao menos eu gosto. Agora, quem viu (tipo o Kinni) sacou que tem duas versões, a censurada e a totalmente liberal, uma completamente diferente da outra. Este é um problema do animê, pois com censura ele faz ainda menos sentido que o normal e, sinceramente, não vejo porque um animê destes seria visto por alguém que não possa aproveitar todo seu potencial. Entra aí uma das questões mais comprometedoras da indústria atualmente.

Na realidade, a censura em si já é uma contradição. Existem níveis de censura e algumas delas são compreensíveis. No caso dos episódios iniciais de Naruto, por exemplo. Poucos se dão conta, mas a versão de tevê da série é um tanto mais leve que o mangá, no qual o primeiro volume já inclui cenas de extirpamento e lesões gravíssimas (e quem não lembra da cena em que Kakashi faz parecer que dilacerou Sasuke… Pena que foi genjutsu). Nesse caso, a transmissão para a tevê, que inclui aí um público mais jovem e, talvez, mais frágil, justifica uns pequenos e praticamente irrelevantes cortes. Não é bonito, concordo, mas tem sua razão.

Agora, é algo completamente diferente quando você está falando de um animê que é censurado gratuitamente na tevê para passar em um horário que nada tenha a ver com ele. Pior, passa em um horário que tem a ver com ele e mesmo assim é transmitido em uma versão tão dilacerada quanto o Sasuke acima apenas para ser encaixado em um DVD safado em sua versão completa. É quase o caso do Seikon que eu assisto e que me recuso a sequer baixar se não for versão integral. O que some ali não são excessos gratuitos, é parte essencial do animê. Seria o mesmo que ver Gantz, FullMetal Alchemist, até mesmo One Piece sem cortes. Vejam bem, em FMA, por mais que muita gente não fique pensando nisso, há cenas de explosões de membros, arrancamento de membros, deslocamento cruel de membros e crueldade infantil (afinal, Ed ainda não é adulto, certo?). E aí, topa ver uma versão em que não há um mísero sanguinho?

Concordo quando falamos de animês de comédia, como To-Love RU, ou mesmo de ação no qual a nudez é gratuita e por vezes desnecessária (ok, NOT), como Air Gear. Nesses casos uma certa censura pode ser apresentável, mas apenas na sua versão televisiva. Ver em DVD com essas mudanças seria no mínimo uma ofensa pro comprador. No entanto, há alguns animês que sofrem retaliações simplesmente para se tornarem mais palatáveis, como é o caso de Reborn!, que pode não ser tão mais suáveis na violência, mas não tem motivo para existirem. O mangá de Reborn! há um bocado de tempo já abandonou a face cômica (ainda que tentem fazer piada do seu protagonista covarde), enquanto que o animê dá vários deslizes e torna ainda mais irreal o mundo em que um bebê pode ser o melhor atirador da máfia (sem comentários).

E aí fica difícil contrariar quando o Ocidente toma a vergonhosa atitude de “ocidentalizar” os animês que compra, tornando-os mais agradáveis para seu público por aqui (sinceramente, bolinhos de arroz são tão estranhos assim pra nós?), assim como permitindo que crianças assistam sem serem prejudicadas (como se o Bully nas escolas fosse menos terrível do que ver um personagem cuspir sangue depois de levar um SOCO). É um pouco complicado discutir essa questão, considerando que eu cresci assistindo Looney Toones e nunca tentei explodir meu amigo apressadinho com bananas de dinamite ou declarei “Temporada de Jorge” para o meu irmão esperando que um caçador careca exploda o nariz dele (ainda que eu continue rindo do bico do Patolino parando na nuca). “Ah, Black, mas são animais, as crianças vêem a diferença”. Bonito, além de influnciar os pequenos a detonarem a vida selvagem, ainda ignoram que o Hortelino e o Eufrazino são PESSOAS, esteriótipos tão ruins quanto os coadjuvantes de filme de terror, para o bem de suas produções antigas, não é? Tenho medo da revitalização que vão fazer na série dos Toones, já que novos episódios vêm por aí. Mas, a discussão sobre animês no Ocidente vem em outro momento.

Pra completar a linha de pensamento, um último comentário sobre esse conteúdo “obsceno” que se encontra nos animês antes de serem censurados: Discussões e trocas de farpas alegres internas me levaram a perceber que muita gente pegou “alergia” a esse tipo de material, se afastando por causa do pensamento de que, se tem algo assim, a história boa não é. Concordo que muitos animês praticamente caminham em cima dessa estirpe, e principalmente nas temporadas atuais em que ficou difícil sobreviver à economia japonesa, mas não é regra. Vejam só, inúmeros animês Moe populam os canais de discussão, mesmo por aqui onde o Moe nem é tão difundido, e produções Yaoi ainda fazem o nariz da maioria das otomes sangrar, e ainda assim existem ótimos animês sendo lançados. Ecchi, moe, tsunderes, yaoi, yuri e vários outros tipos de fanservice podem ser sim bengalas de roteiros ruins, mas é preciso dar uma chance pro deficiente para que ele possa mostrar o valor que tem. É possível se surpreender.