jun 28 2010
Passa um, passa dois e é… Go… Não
Época de Copa, Japão indo bem (amanhã vai contra o Paraguai), nada mais justo do que pensarmos em animês de esportes… Ainda mais com Major terminando uma longa vida nas páginas da Shounen Sunday, dando fim a uma história fantástica de mais de uma década de duração. Como praticamente qualquer coisa dá vazão para um mangá (e isso que nem falei de Toriko e sua caçada por… Ingredientes para cozinhar…), esportes são um tema recorrente das obras japonesas, em várias modalidades diferentes. Pode ser futebol, hockey, rugby ou futebol americano, basquete, todos merecem uma menção especial de algum mangá de sucesso, mesmo que não para o público geral. Hoje, como uma temática mais leve, trago algumas sugestões de mangás e animês do assunto para vocês conhecerem.
Para começar, falemos do próprio Major. Assim como Capitão Tsubasa (Kyaputen Tsubasa), mais conhecido por aqui como Super Campeões, o mangá de basebol acompanha a vida de um protagonista que desde criança se interessa pelo esporte, crescendo naquela carreira, passando por times amadores até entrar nas grandes ligas. O Tsubasa Oozora da vez é Goro Honda, um garoto que herda o sonho do pai de participar dos campeonatos profissionais de basebol. Acompanhado dos amigos Toshiya Sato e Kaoru Shimizu (cês sabem, a dupla rival amigão e amiga futura esposa), Goro vai se embrenhando no mundo do esporte e vencendo pouco a pouco os desafios que aparecem, que vão desde vagas difíceis à lesões sérias. O interessante de Major é a seriedade como trata o assunto, demonstrando real afinco da parte de Honda em se tornar um bom pitcher, ou lançador, sendo um tipo de shounen que não se encaixa na categoria dos absurdos, com jogadas e situações bem reais. A série animada começou em 2004 (dez anos depois do mangá) e continua sendo produzida.

Outro animê praticamente obrigatório para os fãs do gênero (amador quer crescer na carreira esportiva) é Hajime no Ippo. Muito mais do que um animê de boxe, Ippo é um animê de superação extrema. Ippo Makunochi é um garoto que nunca teve tempo para si ou ao menos para outros que não fossem a família. Por causa disso, é responsável e determinado, mas solitário, o que permite que abusem dele. Logo, ele é obrigado, de certa forma, a tomar alguma atitude e começa a carreira no boxe. Ao longo do mangá, e da série, vemos o ágil, porém um tanto azarado, Ippo evoluindo de tal forma que dá mais e mais vontade de vê-lo superar seus problemas e ganhar os títulos que merece. O que torna ainda melhor a trama é que seus oponentes são realmente fortes e mesmo que sua habilidade seja um tanto sobrenatural, é crível que um garoto pequeno como ele seja ágil daquele jeito.
Aaaaaadriaaaaaaaan!!!Fugindo um pouco da seriedade, um dos clássicos recentes do gênero é Eyeshield 21, mangá cujo protagonista,Sena Kobayakawa, é o que podemos chamar de gênio do assunto. Plot básico: Garoto que nunca fez aquilo antes, no caso futebol americano, é colocado em uma roubada tendo que assumir a posição que ninguém mais poderia. Logo, ele se torna a estrela e vai subindo no ranking (aqui vemos ele passar de um dos desconhecidos para um dos principais jogadores), abrindo espaço para que ele e seu time, quando há um, consigam aquela chance que há muito esperavam. Se a premissa é batida, o desenrolar é muito mais divertido. Eyeshield tem seus momentos absurdos, claro, e personagens cativantes que conseguem torná-los tensos, para depois causar aquele impacto de animação. Não só Sena como seus colegas de time realizam jogadas quase impossíveis e de uma forma tão bem desenhada, tanto no animê quanto no mangá, que deixa a euforia entalada na garganta. Recomendadíssimo, e também já finalizado.
Quem? Eu? Encarar essa barreira aí? MANEMFU…Pode parecer até pretensão deste autor aqui colocar Air Gear nessa lista, mas seria idiotice ignorar que o jogo de rollers automatizados é um esporte, e um dos mais perigosos. Ainda que um esporte irreal, adaptação de algumas categorias de brincadeiras por aí, o campeonato Trophaeum Tower (um dos mais bizarros que já vi e que vive entrando em confusão) envolve uma série de jogos muito interessantes, mesmo aqueles que não envolvem o time do protagonista, Itsuki “Baby-Face” Minami, o Kogarasumaru. Para quem não conhece, Ikki era um escolar que tinha uma gangue pequena e um dia foi espancada por uma grupo de Storm Riders com quem folgou. Storm Riders são pessoas que utilizam Air Trecks, patins motorizados que permitem realizar manobras extremas não só no chão como em paredes e qualquer superfície (em Air Gear o ar é uma superfície, tomem nota). E o que torna o animê e também o mangá, muito melhor, por sinal, notável é que Ikki realmente é um gênio, mas vive se ferrando. Literalmente. Não uma, mas várias vezes ele é obrigado a se extrupiar para conseguir evoluir na arte da “patinação de parede” e com ele seu time. As lutas nunca são realmente fáceis, pelo menos aquelas que realmente valem alguma coisa, e os coadjuvantes, milhares deles, são memoráveis. Só falta agora Oh Great! dedicar tempo de verdade a fazer os capítulos da série.

Para acabar, Slam Dunk. O mangá tem uma carreira meio triste por aqui, já que foi lançado em uma época que mangás que não fossem super-conhecidos não deslanchariam (alguém lembra do drama de Dr. Slump?), já que o público ainda não estava preparado para séries diferentes. Assim, é bem fácil encontrar vários exemplares nos sebos, e talvez seja bem simples também completar a coleção, com exceção da primeira edição. E Slam Dunk merecia um pouco mais de cuidado pois, assim como Tsubasa, Major e Ippo, é um clássico definitivo de basquete. A história gira em torno de um deliquente (mais um, meio padrão, não?) chamado Hanamichi Sakuragi, que, graças a um interesse romântico, é apresentado ao time de basquete Shohoku, e com ele, Sakuragi vai se tornando um bom jogador, levando o time adiante. Três pontos: A publicação foi da Weekly Shounen Jump, seu autor é o mesmo de Vagabond e o mangá traz exatamente aquilo que os fãs esperam do gênero, partidas sérias e definitivas, com muita emoção. Se ainda não conhece, dá uma corrida no sebo mais perto de você que talvez encontre as primeiras edições.

Se ainda assim vocês não criaram interesse por mangás e animês de esporte… Bom, o problema é de vocês, eu vou ali preparar minhas coisas para torcer pelo Japão amanhã e esperar pelo duelo de sexta-feira contra a Holanda. FUI!

