Os Segredos dos Shoujos

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O titulo pode parece ser pretensioso, porém, não é. É que realmente não pensei em outro titulo que coubesse a esse texto, que é uma continuação daquele assunto que vinha debatendo aqui: homens e shoujos. Estava devendo essa parte final (?) para vocês. Depois que concluir esse texto, creio que minha missão estará concluida, e poderei voltar ao Digimundo…

Nessa última parte de minhas considerações, desvendarei enfim quais são os encantos dos shoujos para os garotos (de acordo com eles mesmos) e acho que para as meninas também. Antes de continuar, quero sugerir uma pequena trilha sonora: “Saikou no Kataomoi” de Tainaka Sachi e “Hajimari no Kaze” de Ayaka Hirahara.

Prontos? Então vamos lá.

 Pausa Dramática

Os shoujos trabalham com relacionamentos, nem sempre amorosos, entre duas pessoas, esse é o enfoque principal em torno do qual giram todas as firulas existentes. Uma coisa que os meus colaboradores citaram é no quanto essas relações se parecem com a realidade. E concordo com eles, o shoujo, em geral, tem uma maior relação com a realidade do que o shounen justamente por trazer algo que não pode ser totalmente irreal, as relações humanas. O amor, a paixão, a conquista, o sonho, ele é igual seja em 2D, 3D ou na vida real. As relações e o modo como elas se desenvolvem podem ser inventados, mas os sentimentos ali expressos existem em nossa própria vida, é muito mais fácil você encontrar uma história como Karekano, onde duas pessoas que estudam juntas e convivem acabam se apaixonando, do que uma história como Bleach ou algo do gênero. Não que pensar em universos alternativos não seja legal, pelo contrário estimula a imaginação, mas existem horas em que ansiamos por um pouco de realismo naquilo que lemos, e os shoujos são capazes disso.

Mas como os shoujos promovem essa ligação com a realidade? Em geral através de seus personagens e dos sentimentos ligados a eles, sentimentos esses que podem ser despertos em nós. Não estou falando de paixão por algum personagem ou algo do tipo, mas aqueles sentimentos que te fazem envolver-se com a história dele, que te fazem sofrer junto, torcer para que a mocinha fique com o mocinho no final e sejam felizes, ou então que te faça se identificar com certa situação vivida, certos sentimentos ou personalidade. Eu mesma já me identifiquei muitas vezes com personagens de shoujos, seja pela sua personalidade, seja pela situação que estava vivendo. Não é simplesmente admirar aquela característica do personagem, é sentir aquilo que o personagem sente, ver em si alguma característica que te faça dizer: poxa, isso lembrou a mim.

Mas para isso, é preciso que a história seja simples (nada contra as fantasias bem elaboradas), mas a essência simples das relações precisa estar ali, pronta a ser identificada. É meio que um retorno ao mundo da inocência, á época em que acreditar no final felizes dos contos de fada era mais fácil. Sabe aquela sensação do primeiro amor? No shoujo se torna muito mais vívida, mais palpável.

Outra coisa que foi citada nos emails foi o fato de que a maioria dos shoujos está sob a ótica feminina, o que não poderia ser diferente se tratando do foco desse estilo, mas esse é justamente um dos encantos que os shoujos possuem e que atrai também o público masculino. E esse ponto de vista é que os emociona, mas, e principalmente, os faz compreender um pouco mais desse universo tão complicado que é o feminino. E de certa forma, acho que os ajuda também, se não a entender, mas ao menos rir de certas situações reais que podem parecer absurdas.

Por fim, é uma mistura de realidade, fantasia, emoção, sentimentos, empatia, comédia, drama e mais alguns ingredientes que fazem o estilo shoujo ser apreciado, por garotas e garotos. Nem mais ,nem menos, qualquer outra coisa é desdobramento sociológico.

Quero agradecer meu pai, minha mãe, meu cachorro, papagaio, plantinha, Chefe, aos leitores que responderam meu email: Nakazora, Oberdanorris, Sezaru, José Augusto, Yuri.