Okuribito (Departures)

Okuribito

Pela primeira vez, trago aqui um filme que realmente é bom, e não só de acordo com a minha opinião que, vamos lá, não vale muito, não é?

Um enterro. Dois desconhecidos se aproximam, para fazer o ritual de passagem, o noukan, aquela cerimônia que marca a passagem da alma para o mundo espiritual. Purificar o corpo, fazer as rezas necessárias, a preparação do corpo e a descoberta de que o cadáver, na realidade, não é o que parece.

Não, esse filme não vai falar sobre o cadáver, nem sobre a família dele/dela.

O filme irá contar a história dos que fazem o ritual de passagem, daqueles que auxiliam as jornadas.

Ahhh, a música clássica… notas tão belas, melodias tão cativantes, que até tocam no caminhão de gás, e que, quando tocadas ao vivo, tem um aspecto completamente diferente…

E é no final de uma, naquele momento em que uma apresentação depois se revela a última é que o filme começa.

Quando Daigo kobayashi descobre que está desempregado e com uma dívida de 180 mil referentes ao seu violoncelo, ele apresenta a sua mulher a idéia de retornarem até a cidade natal dele, Yamagata.

A vida lá é calma, pois é uma cidade rural, e pouco a pouco, sua mulher se acostuma com o lugar, mas ele, depois de se livrar de seu violoncelo, não tem mais um emprego para voltar. É aí que ele vê um anúncio no jornal, procurando gente para trabalhar na agência NK. Lá, a atendente o recebe de maneira um pouco distante, até quando chega seu superior, que explica a real do emprego: ser um noukan, aquele que faz o ritual de acondicionamento dos cadáveres. Em outras palavras, é quem coloca o corpo no caixão.

Começando imediatamente, ele pouco a pouco começa a pegar o esquema do serviço, que parece ser bem mais simples do que é, mas bem mais profundo em questões espirituais do que ele pensava.

De acordo com a tradição, não é só colocar o cadáver no caixão. Tem todo um processo antes de fazer isso: lavar, purificar, tampar os buracos, maquiar, pentear e, aí sim, finalmente o colocar no caixão, onde ele terá sua última viagem.

Vou pegar de exemplo o primeiro serviço que ele presencia. Uma senhora havia morrido há duas semanas e seu corpo, já bem deteriorado, se encontrava em um estado de putrefação extremo. O cheiro ruim, o estado do corpo e o desconhecimento total dos procedimentos a se tomar, acabam tornando esse serviço um verdadeiro FAIL.

Sua esposa também começa a não gostar do serviço de Daigo, principalmente por causa do cheiro que ele carrega na volta de alguns serviços. Mas isso não importa, porque no fim das contas, aquilo tudo é importante para a família e acaba por se revelar um serviço mais importante do que ele imagina.

Ganhador do Oscar de melhor filme estrangeiro em 2008, Okuribito é um filme que merece a estatueta dourada. Seu enredo original, mexendo com a tradição de uma maneira um pouco diferente, a maneira em que os fatos são contados, seus momentos de reflexão total e até sua trilha sonora perfeita o tornam um filme indispensável a qualquer um que aprecie uma história bonita, interpretações convincentes e até mesmo um bom toque de drama, até porque isso está presente em vários bons filmes.