dez 9 2010
Oda: O mito questionado

Por causa de um Worm Hole (explicação aqui!), este texto se perdeu no tempo e espaço e saiu HOJE, DEPOIS que eu sacaneiei o Kubo. Será o fim dos tempos ou uma falha no equilíbrio do universo?
Pediram que eu fizesse o mesmo que fiz com Kishimoto a Oda e Kubo. Eu ponderei muito, pesei, fiz meu mapa astral, perguntei pro fígado de galinhas e acabei aceitando que a oferta não era ruim. Difícil, mas ruim. Primeiro que pra falar de cada um eu precisaria de muito mais material que Naruto. Isso porque os dois autores possuem fases mesmo, fases boas e ruins. Mais boas que ruins, geralmente. Pra começar, escolhi o mais complicado, Eichiiro Oda. Antes de avançar, quero deixar claro que estou fazendo o papel de promotor e serei crítico, não fanboy. Agradeçam à Bruna pelo apoio para todo esse processo.
Oda não é um autor simples. Ele possui um esquema intrincado de ações dentro do seu mangá que já tem mais do que uma década de existência e seus planos parecem que nunca acabam. O fim de um arco de histórias e mesmo a morte não quer dizer que o personagem, o local ou mesmo a situação serão deixados de lado. Isso quer dizer que aqueles coadjuvantes lá da primeira saga podem ser resgatados agora, para um papel mais ou menos importante, respeitando a evolução deles. Se isso parece muito bom, também complica a leitura do mangá. Você pode pegar Bleach AGORA e talvez não sofra com a falta de informações. Pode precisar pescar um ou dois volumes para se atualizar, e apenas isso. Começar One Piece sem ser da primeira edição é impossível. Oda criou uma trama tão espalhada que qualquer dado que ele solte, até mesmo nas seções de cartas, podem ser necessários para compreensão do panorama todo.
Se o pecado de Kishimoto é a preguiça de abrir o leque de plots, a gula por uma fatia maior do mercado abarcando todos os gêneros que achar possível, o de Oda é a Soberba, o Orgulho e possivelmente também a Luxúria. O pai de Ruffy (prefiro escrever assim a Luffy, opção de tradução) e cia. Se permite exagerar, fazer miscelâneas, cruzar tantas histórias quanto quiser para colocar nas páginas do seu mangá. Claro, com isso cada fase do mangá tende a ser longa e com quantas reviravoltas ele puder encaixar em 19 páginas por capítulo. Vejam bem, ele levou praticamente 10 anos para chegar na segunda etapa do mangá, New World, que é o equivalente de Shippuuden. Mais importante, ele criou mais de uma centena de personagens e aquela que é a melhor defesa dos fãs de One Piece também pode ser uma grande fraqueza.
Eichiiro não esquece personagens. Nenhum, basicamente. Como disse antes, um coadjuvante pode voltar para fazer mais dez arcos depois de sua aparição inicial. Olha, que legal, isso quer dizer que o mundo de One Piece é vivo! Sim, e também que Oda construiu vários personagens similares, além de dar a cada um deles tempo em cena suficiente para se desenvolver, o que pode ser visto como um atraso do mangá. Calculem comigo… Se a cada nova aventura são introduzidos 6 personagens importantes novos e os seis receberem um capítulo ou mais para serem apresentados e encaixados na teia da tripulação do Chapéu-de-Palha, não são seis capítulos a menos para os protagonistas crescerem? Digo isso porque alguns deles, Zoro, por exemplo, levaram algumas centenas de capítulos do último passo para o seguinte. Citando o espadachim, que atualmente sofreu um upgrade tremendo, seu grande momento anterior foi exatamente quando Sanji entrou pro grupo, isso ainda no Mar Azul!
Aliás, me lembra de outra questão. Assim como Dragon Ball Z e Bleach, One Piece sofre de uma espécie de mal do shounen. Existe um mínimo de poder, que é o equivalente ao cachorro na rua (ou não, já que um cão detonou logo no começo da história) ou do inseto que matam no banheiro, mas não existe máximo. Nós imaginávamos, pra começar, que a marinha detinha poderes absurdos. Bom, eles são realmente fortes, mas não o bastante. Em batalhas cada vez mais épicas, novos personagens e alguns antigos que ninguém acreditaria lançam mão de uma quantidade absurda de força, chegando a feitos incomparáveis às batalhas difíceis dos primeiros volumes. Perto dos atuais inimigos e da própria tripulação do Thousand Sunny, Buggy, Kuro e até mesmo Arlong são crianças de jardim de infância. “Ah, Black, mas isso é normal! Você compararia o Freeza ao Majin Boo?” você me diz. Aí eu lembro… Freeza era considerado tão forte que poderia destruir um planeta, que, olha só, é a mesma coisa que Boo pode fazer. Em matéria de energia e talvez velocidade Boo seria superior, mas tanto ele quanto Freeza fizeram as mesmas coisas. Dizimaram um planeta, mataram personagens fortes e evoluíram várias formas antes de serem espancados.
De qualquer forma, Oda é ainda assim um bom redator. Levantar defeitos de sua obra foi uma tarefa árdua, mas fez bem. Provou que One Piece não é perfeito, só muito bom. Anotem aí para não saírem apontando o dedo a outros mangás. Qualquer autor tem suas falhas, seja Oda, Hoshino, Muto, Kubo, Kishimoto ou Toriyama com seus quinze vilões idênticos e feios. É tudo uma questão de se perguntar… Vale a pena parar de ler por besteirinhas?
Black
O editor-chefe da bagaça aqui. Responsável por tudo que for publicado. É... Legal, hein?
