ago 10 2009
O difícil público jovem

Vou ser sincero com vocês: Homem que gosta de anime é um porre. Não, mais do que isso, é a nata do crítico reclamão. Nada agrada, nada é bom o bastante, só um ou dois produtos de um mercado extenso e, definitivamente, milionário se salvam. A maioria conta nos dedos de uma mão os animes que valem a pena assistir das centenas que passam na tevê japonesa (e que, admitam, vocês vêem no computador). O resto, pff, é coisa de criancinha, é ruim, não tem ação o suficiente, tem romance demais, enrola. Como se tudo que ele assistisse fosse redondo, perfeito.
Em primeiro lugar, é preciso quebrar o tabu: Não existe anime perfeito. Não insistam. “Ah, Akira é f***”. Claro, claro. Um FILME é facilmente comparável a, sei lá, um anime de TRÊS temporadas, quatro, sei lá. Só de considerar o tempo de produção, a revisão e a verba fica muito dispar. Não se pode colocar no mesmo patamar. E não me venham com xurumelas, gostem vocês de Berserk, Bastard, Gantz ou de Love Hina, Sakura Card Captors, Sailor Moon. Se uma obra dura, em algum momento ela vai cometer um deslize, vai ter “o pior episódio de todos”. Não é pessimismo, é realidade. Quanto mais material se tem pra pesar, mais chances de encontrar um capítulo que não seja tão bom quanto os outros. É uma questão de estatística.
Mas não existe nada pior do que perguntar a um cara como ele julga isso. Tirando os argumentos anteriores, existem ainda “nada original”, “péssimo roteiro” e “é coisa de mulher”. Rapousa e Bruna, as garotas do Sake com Sal discordam plenamente e fizeram uma série de textos sobre isso. Quer vocês queiram ou não. E os jovens são a pior parte do público. Quando digo jovens, não pensem em, sei lá, 14, 15 anos. Falo daqueles marmanjos mesmo que tem os olhos injetados de sangue e portam uma espada bastarda quando falam de animes (é, você mesmo, Diogo!). “Ah, Black, cê é tããããããoooo adulto”. Hunf, ao menos tenho colhões de abrir minha mente e conhecer muito mais do que só aquele mundinho de animes que vocês, poozers.
Tem que se chutar a porta, quebrar de uma vez esses conceitos infantis de animes de garotos e garotas, crianças e adultos, originais ou não. Japoneses classificam, mas a sociedade deles é bem diferente da nossa, e até que não é tão incomum ver eles mesmos passando por cima dessas barreiras ideológicas. Ou vocês acham que só adultos lêem mangás seinen? Não é uma simples nomeação que vai impedir que uma história seja acessível a qualquer um com o mínimo de conhecimento. Se assim fosse, teríamos que rever o posicionamento de Bakuman, To-Love Ru e Negima! em revistas Shonnen, visto que eles tratam, respectivamente de um mangá cabeça sobre mangakás, uma cómedia romântica e um harém (estilo de várias garotas e um garoto principal) com itens mágicos.
Francamente, o que mangás assim fariam em uma revista especializada em fazer animes de “pancadaria”, o aparente único tipo que garotos lêem. Bleach é um reflexo desse cada vez mais difícil público. Uma saga que iniciou mais centrada em discutir os preceitos de vida e morte e tendo boas reviravoltas descambou em uma série de lutas com vários personagens diferentes e alguns tantos que voltam a vida sem razões fortes o bastante. Tipo Saint Seiya perto do final. Ou sou só eu que nem me importo mais em decorar o nome dos Arrancares por questão de que sei que eles vão ser descartados em seguida?
Foi-se o tempo em que você encarava gente como Shishio e Aoshi com respeito ou Toguro e Sensui com certo receio porque sabia que eles haviam sido criados para ficar. Aliás, alguém mais acha que o Aizen é um irmão perdido do Sensui? Porque o Ichigo tá com bem cara de quem vai virar um Yusuke uma hora dessas…
Antes que vocês levantem pedras, saiba que até que considero vocês. É preciso sim ser um pouco exigente com o que lê. Senão, fillers serão criados, mangás terão péssimos animes e o mercado vai se tornar cada vez mais burro. Mas dêem um tempo com os preconceitos e permitam aos animes uma defesa justa assistindo-os antes de sair chutando cachorro magro. Eles merecem e vocês também merecem qualidade.
