nov 17 2008
O Caso do Banho da Chun-Li
Semana passada rolou nos comentários uma discussão meio cabreira sobre censura e dublagem. Aproveitando a idéia, tô trazendo pra cá alguns dos casos mais críticos ou mais… Ah, que rolou putaria na hora de importar o animê, seja do Japão pros EUA, seja dos EUA pra cá. Têm situações realmente ridículas, como as citadas em One Piece, como o Smoker sem charuto, as armas de plástico e a laranjinha no lugar da cerva de verdade. Em alguns casos até que tem uma desculpa razoável, em outros é apenas o cérebro mirrado da empresa 4Kids, entre outras, tentando adaptar o desenho ao “seu público”.
4Kids, cê traiu o movimento, véio, traiu o movimento!
Em One Piece, um animê conhecido por ser caricato e, até certo ponto, infantil, é fácil acreditar que seu público é aquela faixa etária influenciável que não pode ver bebida alcóolica ou cigarro nas mãos dos protagonistas que já quer experimentar. Por isso mesmo é até aceitável que Sanji tenha perdido o seu cigarrinho típico na boca, mesmo ele sendo MAIOR de idade, mas é ridículo pensar que todos os piratas do mundo bebam suco de laranja! Mesmo porquê são poucas as cenas em que eles pedem bebida e seria mais simples deixar com a cor original e tirar a palavra a fazê-los beber aquilo. E que tal Smoker, realmente MAIOR de idade e para quem o charuto é extremamente (heh) necessário? Só pode ser piada né? E se for considerar o tanto de violência e conotação sexual retirado, se entende por que a edição japonesa tem algo como 25 minutos e a nossa, que veio dos EUA, tem aproximadamente 17. Mas One Piece é um caso extremo, existem outros menos cortados por eles…
Gostaram do pirulito de Big Big né? Aproveitaram a censura pra fazer propaganda…Como Pokémon. Admitam, vocês GOSTAVAM disso! E provavelmente leram na época, numa Pokémon Club da vida, sobre os casos dos episódios da praia e da Safari Zone. O primeiro foi limado por mostrar o personagem James (Sempre suspeitei daquela vozinha afeminada) portando peitos (ENORMES, diga-se de passagem) falsos para ganhar um concurso de beleza. O segundo sumiu só porque um guarda-florestal apontou uma arma para a cabeça de Ash. Que Pokémon é infantil todo mundo sabe, mas não é tão infantil assim. Tá… É… Ah, cês entenderam!
Caso surja dúvida… O James é o de laranja…Indo um pouco mais pra trás (estilo Michael Jackson) no tempo, nós temos Dragon Ball, possivelmente um caso desconhecido para quem não é da “comunidade otaku”. Em Dragon Ball foram feitos pequenos cortes, mas constantes, tirando toda a sensualidade do desenho, para adequar às crianças que poderiam assistir e que vivem num mundo puritano típico estadounidense, o país com a maior indústria pornográfica do mundo. Assim, sempre que Bulma poderia mostrar um pouco dos seus melões, havia um corte rápido, e muito bem feito, por sinal, que continuava a cena sem afetar a história, mas perdendo o efeito cômico. Sacaram? Sensualidade sendo usada para fazer piada é grosseiro. Por isso não é de se espantar que Street Fighter, um animê que REALMENTE não é infantil, tenha perdido a famosa cena do banho da Chun-Li, que dá nome ao texto de hoje. Por medidas de força maior não posso exibir a cena aqui, mas cês têm o Google, bando de frangos. Vão deixar de ser preguiçosos e procurar!
E isso foi o máximo que muita gente viu… Hum… Até que vale a pena…Depois de analisar todo esse panorama, faço a vocês a pergunta: Tem razão essa preocupação toda com o “bem estar psicológico e mental” das crianças? Todos os animês deveriam passar por esse crivo? Vou utilizar o exemplo de One Piece, agora no Brasil, para ilustrar minha opinião. Quando comprado originalmente, One Piece se viu jogado de um lado para o outro, sempre fugindo do horário nobre do Cartoon Network. Para ser mais exato, sua maior fama surgiu depois que ele ficou no bloco exibido APÓS o Adult Swin. Percebem? Um animê exibido seguinte ao bloco adulto do canal e ainda assim com todos os cortes da 4Kids. Se era para exilá-lo no horário mais excluído do canal, por que não gastar um pouco mais de grana e conseguir a versão japonesa, que aí sim faria sucesso e não seria outro motivo de piada? Vai entender…
E depois dizem que estadounidense não é preconceituoso…Mas antes que vocês levantem as tochas e me sigam gritando que Censura não leva a nada, eu já explico: Não sou a favor de censura quando ela não é necessária. Convenhamos, censurar Pokémon é, como se diz muito no AOE, chutar cachorro morto. Por outro lado, se tocassem em Trigun, Cowboy Bebop, animês que definitivamente são para um público mais adulto, seria desperdício e desrespeito. Nunca que programas desse naipe serão do gosto de quem curte mesmo é a pancadaria descerebrada de Dragon Ball Z ou colecionar os mais de 1 milhão e trocentos bichinhos de bolso. E eu sei que cê olhou pro seu Game Boy agora, frango!
