nov 29 2011
La Ventura: History’s Strong Disciple Kenichi

Existem dois tipos de mangá de batalha: Os que tem técnica, evolução, personagens que treinam constantemente… E History’s Stronger Disciple Kenichi. Francamente, não dava um pila por este mangá pelas imagens que via, pelo pouco que lia ou mesmo pelas prévias que encontrei. Mas encarei o desafio e parti pra leitura. Venham comigo e vejam se errei.
Pra começar, Kenichi (reduzir porque, né… nome grande) possui um protagonista dúbio. É incrível encontrar alguém tão banana e ao mesmo tempo tão poderoso. O garoto, de mesmo nome, é um colegial viciado em livros de auto-ajuda, manuais comprados em livraria para explicar como se relacionar, como fazer algumas tarefas e até mesmo como comer. Não, não estou brincando, é esse tipo de loser mesmo. Certo dia, ele acidentalmente encontra uma garota loira com… er… Como direi… Bom, com o corpo PERFEITO, que absurdamente pula sobre prédios. Novamente, não estou brincando. Por causa de um grupo de valentões, Kenichi acaba tentando ajudar essa garota e se metendo em enrascada. Para impedir que ele seja espancado, a garota, de nome Miu, leva Kenichi para o dojô de seu avô para que ele seja treinado por algum dos mestres de lá. E o inferno começa.

O dojô do avô de Miu é um lugar esquisito, sem alunos, povoado por um gigante do Muay Thai, um karateka que parece ser de gangue, um escultor que pratica Aikido, um velho tarado versado em Kung Fu e uma deliciosa ninja. Cada um deles mais maluco que o outro, todos voltados para as lutas extremas. Sem saber, Kenichi acabou sendo apadrinhado pelos maiores mestres do Japão e também pelos mais insanos. Até o avô de Miu, um senhor com dois metros de altura, é um monstro do combate. Após o treinamento mais suicida que eles puderam bolar, Kenichi ganha a luta e continua treinando como aluno do dojô, o único só pra lembrar, e arranjando mais confusão.

O mangá é fantástico exatamente na sua maior falha: O exagero dos personagens. Todos os mestres são muitos interessantes. Apachai, o gigante, é uma criança em espírito e vive pedindo desculpas por mandar Kenichi pra longe, já que ele não consegue controlar sua força. Sakaki-sensei só tem aparência de mal, sendo na verdade um coração mole que vez por outra dá uma lição de moral em Kenichi (entre todos os mestres dele, acredito que este seja o que mais tem a ver com sua personalidade). Kensei, o velho tarado, possui tantos segredos quanto técnicas ocultas e possivelmente é o mestre que menos tem afinidade com o discípulo. Shigure, apesar de ser uma garota voluptuosa, não alcançou a maturidade por conta de sua vida complicada, e portanto, mesmo sendo mais velha, trata Kenichi como igual. E tem o Akisame, o sádico torturador que aproveita sua habilidade com esculturas para criar aparatos que quase sempre deixam Kenichi em frangalhos. Juntos, eles vão desenvolvendo não só o caráter do protagonista, mas dos amigos dele. Ah, os amigos.
Quando conhecemos Kenichi, o único “amigo” dele é um colega que consegue ser mais esquisito que todo o resto do elenco, um “alien” com o nome humano de Niijima, na realidade, um daqueles alunos aproveitadores que usa as recém-adquiridas habilidades do protagonista para conquistar espaço na escola e depois na cidade. Apesar de ser uma tática suja, a estratégia de Niijima faz com que Kenichi acabe ficando amigo de alguns dos oponentes que enfrenta, criando assim sua própria equipe de mestres e também crescendo como lutador.

HSD Kenichi é um shounen com certo drama, mas que não deixa de ser de pancadaria. Em termos de combates, temos lutas empolgantes, principalmente quando os mestres de Kenichi entram na briga e apresentam combos absurdos. É divertido também ver quando ele é colocado em uma série de torturas com seus mestres, apenas para crescer um pouco mais. E, claro, tem o ecchi… MUITO ecchi. Pra constar, a roupa de batalha de Miu é um colante roxo que não deixa de expor praticamente nada, Shigure não se importa muito em ficar vestida e praticamente todas as garotas que lutam com Kenichi (porque ELE não bate em mulher, mas apanha) acabam tendo a roupa destruída, bem ao estilo Ikkitousen.

O traço do mangá é muito bom, bem caricato, e os efeitos especiais dos golpes acabam ficando muito bonitos. A adaptação pra animê acabou demonstrando algumas das falhas desses personagens e sua caracterização, mas na versão do mangá isso é algo que se ignora. Atualmente, com bem mais do que uma centena de capítulos, a história acabou afundando em um dos clichês típicos do gênero, o que é lamentável. Mas quem quiser começar a ler AGORA terá muito material bom pra acompanhar, principalmente a saga do torneio. Sim, eu recomendo History’s Stronger Disciple Kenichi, mas com cautela, para não enjoar.
Black
O editor-chefe da bagaça aqui. Responsável por tudo que for publicado. É... Legal, hein?

nov 30, 2011 @ 11:01:25
Chefe? Mas eu já fiz um post sobre Kenichi, lembra?
nov 30, 2011 @ 21:16:14
As Tags são um belo resumo da série…
Lembrando que teve um anime, mas só foi até o fim do primeiro arco… Nem vi o anime porque algumas lutas ficaram tão bem animadas que parece que estou lendo o mangá de tão paradas que ficaram…