mai 10 2011
La Ventura #1 – Pretear
Há algum tempo tenho percebido que existe um tipo de animê que parece estar em extinção, quase não se vê mais produções do tipo, me deixando com aquela sensação de vazio em minha grade de animação. Esse tipo específico de animê é reconhecido por ter uma garota que se transforma através de poderes mágicos. Um bom exemplo é Guerreiras Mágicas Rayearth da CLAMP, onde 3 garotas são levadas para um outro mundo, podendo se transformar e lutando contra as forças do mal.
Um roteiro bem tipíco, mas que sempre me encanta e foi com esse modelo de aventura, que Pretear me conquistou.
Pretear parece aqueles animês feitos para garotinhas de 10 anos, com magia, romance e comédia sem apelo sexual (ou quase). Mas não se engane, não é somente sua irmãzinha menor que poderá se apaixonar por este animê, acredite, você também.

A história começa com uma estudante secundarista que perdeu a mãe alguns anos antes, Awayuki Himeno, tentando se adaptar a uma nova vida: seu pai Kaoru, um escritor em crise de inspiração, casou-se com a zilionária Natsue, dona de praticamente toda a cidade onde vivem. Com o casamento, Himeno ganhou duas irmãs: Mawata, que simplesmente a ignora, e Mayume, cujo maior prazer é atormentá-la. Himeno por mais que tente, não consegue se adaptar a esta nova vida, mas não demonstra simplesmente para não magoar seu pai.
Ao mesmo tempo em que isto acontece na Terra, em um outro mundo chamado Leafenia, Fenrir, a Princesa do Desastre, consegue se libertar de sua prisão e tenta roubar Liefe (que seria basicamente a vida de cada ser vivo) para renascer. Tentando evitar que Fenrir tome todo o Liefe, tanto de Leafenia como da Terra, um grupo de sete guerreiros parte em procura da Pretear, os Cavaleiros Liefe, uma princesa capaz de se associar com cada um deles e assim lutarem contra Fenrir e suas sementes demônios.
Cada Cavaleiro possui a habilidade de controlar um elemento da natureza e cada combinação com a Pretear gera uma nova força de ataque (e mudança de figurino). Sem a Pretear é impossível derrotarem Fenrir e assim a vida nos dois mundos seria extinta. Por isso, estes Cavaleiros vão até a cidade onde Himeno vive, para encontrarem a garota capaz de se tornar a Pretear e assim salvar os mundos.
Num dia em que Himeno mais uma vez se atrasa para a escola, seu destino e o dos Cavaleiros se cruzam. Pegando um de seus atalhos, Himeno praticamente cai em cima de Hayate, um dos Cavaleiros. A partir daí, ela descobre que é a Pretear e tem a missão de salvar a todos.

Apesar da história parecer clichê, ela possui um ar de inédito raro neste estilo. É principalmente baseada no conto de fadas da Branca de Neve, mas isso em nada estraga, pelo contrário, só traz mais beleza a trama. Pretear traz em doses quase medicinais drama, comédia e romance. Tanto os personagens principais, como o núcleo secundário são um primor a parte.
A começar pelos Cavaleiros Liefe, cada qual com uma característica marcante:
Hayate (Cavaleiro do Vento), com seu mal humor característico; Sasame (Cavaleiro do Som), com seu jeito compreensivo e suave; Key (Cavaleiro da Luz), andrógino e lógico ao extremo; Go (Cavaleiro do Fogo), zombador e excelente cozinheiro; Mannen (Cavaleiro do Gelo) e sua rebeldia infantil em querer ser gente grande; Hajime (Cavaleiro da Água), curioso e atento como qualquer criança; e por fim, Shin (Cavaleiro das Plantas), fofo e encantador. Depois temos Himeno, que ao contrário da maioria das protagonistas atormentadas e sofridas, não leva desaforo para casa e nem fica esperando que alguém a salve, pelo contrário, se esforça ao máximo para se tornar uma Pretear digna.

No núcleo secundário, temos o amor infantil e às vezes “vergonha alheia” de Kaoru e Natsue, a reclusão voluntária de Mawata e a tara de Mayune por caras bonitos (e sua mania de tentar seduzi-los ao sair do banho), além de outros personagens que mesmo sendo caricaturados demais, possuem seu charme.
A animação é simples, sem efeitos de CG, mas nem por isso perde em brilhantismo e qualidade, apesar do design de alguns personagens ficar desfigurado em alguns episódios e dependendo do ângulo de visão do desenho. Uma das desfigurações mais perceptíveis está relacionada ao rosto dos personagens, que ficam redondos demais e com queixos protuberantes. Tirando isso, uma das coisas que mais me encantou foram os figurinos de Himeno quando se transforma em Pretear, como comentei acima, a cada combinação a roupa muda, com cores, formatos e detalhes diferentes. A trilha sonora foi sabiamente escolhida, nada muito exagerado.

O desenrolar da história é ótimo, sem momentos de estagnação, com ação em praticamente todos os episódios e rápido desenvolvimento da trama, chegando a ser exagerado às vezes, como por exemplo certas atitudes de personagens que te fazem perguntar “Má como?”, ficando meio que jogadas no decorrer do animê. Outro coisa que foi um pouco decepcionante foi o final, que reuniu a maioria dos clichês do gênero, tornando meio previsível, mas tem lá sua emoção.
Por fim, Prétear – The New Legend of Snow White é um daqueles animês que valem muito a pena assistir, contando com 13 episódios é curto e com boa história, sem muita enrolação. Foi escrito por Junichi Sato, Kaori Naruse, produzido pelo estúdio Kadokawa e transmitido no Japão entre abril e junho de 2001.
Bruna
Sou apenas a secretária!

