Koi Kaze

Mais uma vez é um shoujo que eu resenho. Talvez seja porque é o gênero que mais me identifico, e por ser um dos gêneros em que um incesto não fique tão pervertido.

Minha primeira experiência com incesto na cultura japonesa foi com Angel Sanctuary, que cito por ser o primeiro mangá que colecionei seriamente e por isso me marcou tanto. E também por me mostrar que incestos, ao menos culturalmente, não são tão feios assim, indo diretamente contra toda a cultura ocidental. Se o incesto de AS pecava pela falta de uma parte dramática mais intensa no que tangia ao relacionamento dos irmãos, Koi Kaze veio suprir essa minha necessidade por drama, e o melhor, bem trabalhado.

Koi Kaze é um mangá de cinco volumes, que chegou até aqui através dos fansubers. Esse mangá gerou em 2004 um animê com 13 episódios.

Koi Kaze trata do amor entre Saeki Koushirou e Kohinata Nanoka. Eles se conheceram um dia no parque, logo após o namoro dele ter sido desfeito e ela sofrer uma desilusão amorosa. Um encontro casual e até certo ponto, consolador para ambos. Seria tudo muito perfeito, se não fosse dois pequenos detalhes: Koushirou tem 27 anos, Nanoka tem 15, e são irmãos. Mas não se conheciam, porque com a separação de seus pais, Nanoka ficou com a mãe e Koushirou com o pai. Mas agora, depois de tanto tempo, Nanoka estava vindo morar com eles e cursar o secundário.

Essa descoberta assusta ambos, afinal, mesmo se conhecendo a pouco tempo, eles haviam começado a gostar um do outro, mesmo sem demonstrar.

A questão é: podem eles conviver como irmãos, ao mesmo tempo que possuem esses sentimentos “errôneos” um pelo outro?

E é disso que trata o mangá, da aceitação desses sentimentos e a convivência com algo que é julgado como perversão por toda a sociedade.

O drama não é exteriorizado pelas personagens, ao menos não de um jeito perceptivo. Koushirou, com toda sua experiência de vida, funcionário de uma agência de casamentos, tenta suprimir esse sentimento destratando sua irmã, enquanto que Nanoka, em toda sua inocência, apenas deseja lutar por seu irmão. São duas visões diferentes da mesma situação: uma pessimista e uma otimista; um que prefere desistir e um que prefere lutar.

E aos poucos, esse amor que sentem vai se tornando maior, mais complexo e mais aceito por ambos. Não se tem muito o que falar sobre Koi Kaze, qualquer coisa além é considerada spolier.

É uma bela história, sem perversão, um drama que beira a poesia.