ago 25 2011
Knife of Romance – Watashi Ni XX Shinasai

Nas décadas de 80 e 90 saíram muitos filmes tirando sarro de Nerds, colocando tanto como excluídos sociais como heróis de uma geração. Entre muitos mitos quebrados, havia aquele do “Nerds também amam”. Estas linhas introdutórios são uma encheção de linguiça patrocinadas por Théo Salames Ltda., com o intuito de dizer que eu também posso falar de romance sem ser exatamente meloso ou bizonho. Este é sim um Knife of Romance, e eu vou falar de um mangá com um roteiro bom demais. Divirtam-se.
Sou bem seletivo quanto a mangás (mentira!), leio uns vinte apenas por mês, através de métodos muito honestos, e desses, muitos foram selecionados duramente (uhum…) para entrarem na lista. Entre estes, um shoujo apenas: Watashi ni XX Shinasai!, cujo nome não me fez muito sentido a princípio, principalmente porque um X a mais ali e ele mudaria de seção. Acontece que fui surpreendido novamente, com um traço fantástico e roteiro bem bolado, o mangá realmente É bom e merecia a atenção. Mas antes de falar das qualidades, falemos da história.

Basicamente outro daqueles mangás de garota que não entende seus sentimentos, em Watashi Ni nós somos apresentados a Yukina Himuro (ô nome apropriado), uma colegial com três características bem diferentes: Ela tem olhos “profundos” ou “afiados” (como na descrição original[nota do revisor: SIM, O CHEFE LÊ EM JAPONÊS, PODE CHORAR AGORA]), tem a pele fria como gelo e escreve romances para celular. Os dois primeiros pontos são de conhecimento geral dos colegas de classe e até de outros alunos do colégio e por isso ela ganhou o apelido de Garota da Neve ou Yuki-Onna. Apesar disso, Yukina não se importa muito com o afastamento de todos, menos de Akira, seu primo um tanto recluso, como ela. Isso até que os textos de Yupina, seu alter-ego escritor, são criticados como shoujo sem romance. Aí ela precia correr para conseguir encontrar o que é AMOR, palavra que ela realmente não entende (e que é o Ai escondido no título do mangá). É aí que entra Shigure.

Aluno modelo, bem querido por todos e principalmente por todas, Kitami Shigure é o fantástico canalha dissimulado. Se faz de bonzinho pra todos, assim tem o que quer quando quer. Shigure não é exatamente maligno, só faz fita, o que o torna muito dúbio. Quando Yukina descobre seu segredo, passa a chantageá-lo para que ele faça “missões” para ela, forçando-o a fazê-la descobrir o Amor. Sim, isso é como parece, um Kimi ni Todoke deturpado. O que vemos então é a força da protagonista e o coração blindado do protagonista, dois personagens que definitivamente valem o mangá inteiro.

Em Watashi Ni não temos personagens desperdiçados. Existem os quatro protagonistas (Yukina, Shigure, Akira e uma outra que falo já já), os pais de Yukina e praticamente só. Todos os outros entram, fazem seu papel (muito bem por sinal) e então são colocados de lado, para que a trama se desenrole. Pode parecer contraditório, mas não é. Cada um dos quatro possui camadas suficientes para trabalhar as diversas reviravoltas da trama. Yukina é uma tsundere sem conhecimento do mesmo, com respostas rápidas pra praticamente tudo, e que realmente é inocente no quesito relacionamento. Tirando sua amizade com o primo, ela desconhece o que é ter outras companhias. Shigure, como eu disse antes, não é mal, apenas escolheu o que considera ser o caminho “mais fácil”. Sendo bonzinho sempre, ele não tem que dar respostas, não precisa se estressar deixando os outros se aproximarem e não se machuca. Akira é, talvez, o mais fraco. Por traumas do passado, se aficcionou à prima, da qual não desgruda. Tem sim seus egoísmos, mas é, na maior parte do tempo, altruísta e é razoavelmente fácil gostar dele. Por ser o outro lado do triângulo romântico (futuro quarteto), ele representa o contrário de Shigure, em muitos pontos. E temos Mami…
Por que eu dedico um parágrafo inteiro a ela? Porque Mami é o esteriótipo da vilã de um shoujo, mas avacalhado. Pra começar, ela gosta de Shigure, mas de uma forma que não dá pra repreender. Não é um “ah, um dia acordei, vi o garoto bonitinho e gostei dele”. Ela se apaixonou por ele aos poucos, como é o comum e não o maltrata ou finge que não gosta. Pelo contrário, ela diz com TODAS AS LETRAS, somente o tapado que não vê (eu tinha outro nome pra isso, mas ficaria feio aqui). E Mami é aquele tipo de garota que todos admiram, tanto que o colégio inteiro os considera como casal (fato aparentemente desconhecido por ELE), ela é delicada, sensível, dengosa, muito fofa… E, claro, faz de tudo pra atrapalhar Yukina, mas nunca na maldade verdadeira. Claro, temos as cenas de bullying… E daí, ela é a “vilã”, esperavam o quê dela? NO ENTANTO… Mami é burrinha. Do tipo porta mesmo. E quase sempre acaba colocando os pés pelas mãos.

É aqui que entra minha recomendação: Leiam Watashi Ni (mesmo que você seja um garoto) pela humanidade dos personagens. Yukina é forte, então você não a verá sofrendo como as outras protagonistas, duzentos capítulos na incerteza. Shigure é banana, mas vira macho na hora que precisa (aproveitando pra revelar que a Garota das Neves até que pode ser caliente) e Akira e Mami são antagonistas de peso, ao ponto de serem considerados protagonistas. Mesmo que Mami seja tola e não perceba direito as pistas que estão NA CARA. Bom, isso até o capítulo atual… Veremos…
Black
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