out 8 2009
Hetalia: Axis Powers

Ao assistir Hetalia, uma pessoa culta como eu (*cof cof cof*) acaba por descobrir coisas interessantes. Como o fato de japoneses ou não entenderem muito bem de história, ou aprenderem uma completamente diferente da nossa.
Caso você não faça a menor idéia de porquê essa minha colocação, basta apenas que eu te explique primeiro o que exatamente é Hetalia. E não chame de Hentalia, como eu, que no começo acreditei que era uma mistura de hentai com itália, no sentido mais literal de latin lover.
Pero que si… Pero que no… Ma que, Guiuliana! PASTA!Não, caro otaku de mão peluda, Hetalia não é um hentai, na verdade nada mais é do que um outro anime sem noção. Mas tão sem noção, que só de pensar no enredo dele você já fica levemente confuso. Para entender porquê ele é tão louco, deixe-me contar primeiro a inventada história de como surgiu a idéia para essa divina obra.
Um dia, um jovem nipônico chamado Hidekaz Himaruya se mudou para Nova Iorque com a intenção de cursar uma faculdade de design. Inocente, por ser japonês e virgem, ele se deixou conquistar por uma
peitudabela colega de turma, que um dia, com pena do baixinho gaguejante, resolveu chamá-lo para dar um passeio no Central Park com uma galerë. Sem nem hesitar, Hidekaz aceitou o convite. Ao chegar lá, como qualquer pessoa sem muita personalidade, ele aceitou experimentar uma coisa mágica chamada LSD. Os jovens voltaram para a faculdade ainda sob o efeito da droga, onde por engano entraram em uma aula de história, o tema daquele dia era Segunda Guerra Mundial. Nascia aí Hetalia.
Agora que acabei de inventar contar essa brilhante narrativa, você está pronto para entender, e mais, compreender Hetalia. Inicialmente uma webcomic postada no site de Himaruya, posteriormente um mangá e então, ano passado foi transformado em anime. A história é bem simples, grandes (ou nem tanto assim) eventos históricos contados sob a ótica dos países, que são personificados com seus principais estereótipos (ou o que os japoneses acham que são os estereótipos). E diferente daqui do Brasil, onde os países são todos femininos (a Itália, a Alemanha, a França…), nesse anime quase todos são representados por homens, como Alemanha, que é um cara gradão e durão, o Japão um cara baixinho calado e os EUA um cara de óculos com mania de herói.
Cada pessoa É um país. Tente descobrir sozinho quem é quem.O nome Hetalia não remete à hentai, no entanto, também não é tão isento de sentido quanto posso ter feito parecer. A palavra é uma espécie de trocadilho com hetare, inútil, e Italia, o país, referindo-se a sua ridícula participação na Primeira e Segunda Guerra Mundial. Não preciso dizer que, no geral, o personagem principal é a Itália, né?
Itália fazendo o que faz de melhor: implorando por sua vida, e Alemanha com sua típica cara de WTF para ele.O forte desse anime é seu humor escrachado e bobo, em curtos episódios de cinco minutos (infelizmente) que muitas vezes seguem uma ordem aparente e provavelmente aleatória. Mas depois que a pessoa se acostuma, fica tranqüilo continuar seguindo pelos, até agora, trinta e seis episódios.
Os personagens principais são os do Eixo: Alemanha, Itália e Japão, versus os Aliados: Inglaterra, França, Rússia e Estados Unidos. Aí começa o primeiro escorregão histórico do anime, os EUA aparecem já como líderes dos Aliados lutando na guerra desde o começo. O que nós, pessoas estudadas e inteligentes, sabemos que não corresponde à realidade, afinal, tem até um filme que conta porquê os EUA entraram na guerra, ele se chama Pearl Harbor.
Graças a esse bombardeamento pelos nipônicos os EUA, até então pseudo-neutros, resolvem entrar na 2GM.Aulas de história à parte, não saber essa matéria pode ser até uma vantagem, já que, como eu esclareci anteriormente, os japoneses ou não ligam para a matéria ou aprenderam uma diferente de nós. E bem, o que vale é a diversão.
Contudo, apesar de ser o tema principal, Hetalia periodicamente faz viagens ao futuro e ao passado, contando pequenos casos, fazendo algumas analogias meio insanas ou esclarecendo relações históricas. Como o caso mais fofo EVER da relação entre o Sacro Império Romano e a Itália (que no caso seria O Itália), um dia na vida da Rússia e de seus praticamente subalternos Lituânia, Estônia e Letônia, que morrem de medo dele, ou um encontro do atual G8, onde ninguém nunca lembra ou reconhece o Canadá. E sendo o episódio mais aleatório o chamado “Eu odeio esse café” que conta pequenas histórias sobre pessoas indo a um café administrado por um dos países.
Primeiro e único beijo de boca do anime, entre o chibi Sacro Império Romano e chibi Itália. Fiquei fazendo “Ooooow” e lufando por muito tempo.De qualquer forma, é um anime que vale a pena ser assistido, primeiro por ser louco, segundo por ter episódios curtos que não cansam e terceiro por ser simplesmente fofo. Seja por causa da Alemanha e seu metodismo, a Itália e sua pasta, o Japão e sua secundarisse, a China e suas paneladas, os EUA e sua mania de herói, a França e sua homossexualidade descarada, a Inglaterra e seus amigos imaginários e a Rússia e seu sorriso meigo que esconde um ser maquiavélico. Ou mesmo os países terciários, que eventualmente aparecem para animar as coisas.
Inglaterra e seus amiguinhos simpáticos.E afinal, sempre resta a esperança que um dia o Brasil apareça no anime, mesmo que de forma bem rápida. Se bem que eu duvido que os japoneses ao menos saibam quem somos e aonde ficamos. E mesmo que soubessem, a pergunta que não quer calar é como seríamos retratados: uma gostosa com pouca roupa ou um cara que só pensar em futebol? Cuba, o único latino americano com representação no anime, apareceu como um cara feio e meio gordo de blusa florida e rabo de cavalo espetado. Só nos resta esperar que nossa representação seja menos incoerente. Se ela houver, claro.
Cuba batendo no Canadá porque o confundiu com os EUA, já que são muito parecidos.