.Hack

Olha, é raro, e eu digo raro MESMO, eu receber sugestões de textos dos leitores. Sei lá se é porque a maioria não lê o que tá no resto do site e fala dos mesmso assuntos (o que também me torna repetitivo e por consequência chato) ou se é porque não entendem que comentários não são apenas para tentarem trollar e serem trollados. Aliás, a gente tem email, sabe? Também tá valendo. Vamos lá, liberei a porta do spam… Certo, continuando, eu resolvi aceitar a idéia e estou trazendo para vocês uma tentativa de conseguir elucidar o que forma, afinal de contas, o universo de .Hack, que começou como um projeto de videogame e alcançou mangás, animês e muito, muito fandom.

Em primeiro lugar, explicar a mitogologia simplista de .Hack: Na maior parte do tempo, in game, você é o personagem do jogador que você interpreta. Basicamente, é como se você estivesse jogando um RPG no qual você joga um MMORPG (Massive Multiplayer Online RPG, ou RPG de múltiplos jogadores online), chamado de The World. O jogo é um mundo que mistura tecnologia moderna com seres típicos de Final Fantasy, e há uma gama enorme de quests a serem feitas e locais a serem explorados. No animê e no mangá, vemos de leve a rotina dos jogadores e as possibilidades. O que torna o game interessante é que em parte do tempo você realmente sai fazendo quests, como se estivesse jogando o The World.

Certo, Black, parece legal… Prum jogo. Mas e aí? Carma, pequeno gafanhoto, o grande boom de .Hack é que ele possui uma linha cronológica complexa e se seguirmos todas as obras conseguimos descobrir o apogeu do The World, assim como sua ruptura e renascença. O arco inicial começa já no momento que o The World passa por crises, encabeçado pelo jogo de PlayStation 2, .Hack//Infection. O protagonista do jogo (Kaito ou Kite) é metido no meio de uma briga quando encontra uma garota, que é atacada por uma espécie de monstro. Na confusão, o avatar do amigo dele, Yasuhiko, é atacado e o jogador acaba em coma. A partir daí, Kite se une a outros players e procura por uma solução para tirar não só o amigo, mas vários outros jogadores do coma. Essa série de eventos, bizarros até para o The World, é apenas o prenúncio de algo maior.

 Óia aí o FIRST, capa de jogão hein?

A sequência inicial de .Hack (que se passa em //Infection, //Mutation, //Outbreak e //Quarantine) é acompanhada por quatro OVA´s que contam os acontecimentos fora do The World, de uma equipe tentando restaurar os jogadores e tirá-los do coma. Esse arco é chamado de //Liminality e consegue dar uma outra visão dos fatos, já que mostra os resultados das ações dos .hackers (grupo do Kite) e também os efeitos da Infecção em outras áreas do The World. Ainda há uma novelização, chamada //Another Birth, e um mangá, //XXXX ou //XForce, que tratam do período dos quatro jogos, mas com visões opostas, a novelização por Black Rose, companheira de Kite, e o mangá englobando o grupo como um todo.

Com o fim dos quatro jogos o jogo The World também encontra seu fim, sendo reestruturado como The World R. É aqui que entra a história do mangá que chegou ao Brasil, conhecido pelos nomes de //The Legend of Twilight Bracelet e //Dusk. Passando-se quatro anos depois do jogo de PS2, relata a entrada de dois irmãos, Shugo e Rena, que entram no The World após ganharem em um concurso avatares raríssimos. Acontecem que esses avatares são representações dos heróis Kite e Black Rose, os mesmos do jogo original, o que desencadeia uma série de acidentes que acabam revelando alguns dos mals do novo The World. Mas é apenas a passagem de bastão, já que logo chegaria .Hack//G.U., minha parte favorita da história.

 Até no traço esse mangá é bem mais leve que o resto!

Antes, um pequeno comentário de como entrei em contato com essa franquia. Assim como Kingdom Hearts, um belo dia meu irmão ficou ciente dos jogos e gastou tudo que tinha para adquirir o primeiro deles. Durou uma semana, se muito. Logo, ele já havia conseguido o G.U. e espumava porque logo terminaria o segundo e o terceiro estava com problemas, então não conseguia jogar. Entres blasfêmias e muitos xingamentos em inimigos irritantes, eu acabei vendo como era o jogo. E devo dizer que nada da primeira quadrilogia se compara a G.U.. Não só a história é um tanto mais pertubadora, já que aqui a Infecção é extremamente mais profunda, quanto envolve uma quantidade maior de personagens e todos têm sua personalidade bem definida, ao contrário dos jogos originais, que se focam principalmente em Kite e Black Rose. Terminada a fanboyzisse, entro (ui) no jogo.

A história de G.U. é divida na trilogia //R, basicamente //Rebirth, //Reminiscene e //Redemption. O protagonista aqui é Haseo, jogador apelidado de “The Terror of Death” e que é bem diferente de Kite, a começar pelo espírito violento e o ar sombrio. Em G.U. Haseo caça o Player Killer (literalmente Matador de Jogadores) Tri-Edge em busca de uma vingança para o amigo Shino. O que Haseo não sabe é que o Tri-Edge é apenas um dos muitos problemas que encontrará, além do fato de ele lembrar muito um certo herói do passado do The World. O interessante de G.U. é que conecta algumas das informações que ficaram em aberto nos jogos e animês anteriores e leva a história do The World muito além, passando exatamente por seu segundo pico de evoluções e também uma das quedas mais violentas. Se no mundo primordial a praga causava o coma de jogadores e bugs assustadores, em G.U., a existência de PKers com poderes absurdos é ainda pior, colocando os jogadores em tensas cenas de batalhas.

 Pra não dizer que é babação de ovo, vejam como até os wallpapers são foda!

Sim, .Hack é extremamente difícil de acompanhar, e sim vocês sofrerão para conseguir saber tudo. Mas vale a pena, mesmo que não tenha tanto sucesso nas bandas de cá. Eu, como já demonstrei acima, tenho muito interesse na saga G.U., mas toda a série tem sim seu espaço reservado, ao lado do videogame e na estante de mangás. Cya!