mar 23 2010
Freezing

Vou ser sincero com vocês, eu leio muito, mas muito, mas MUITO mangá. De tudo um pouco, tem pancadaria, tem romance, tem estratégia, tem comédia. Então é difícil dizer o que realmente me faz ficar comprometido com um mangá, mas seja o que for, Freezing tem. Não é um shounen incomum, tem várias características de uma história padrão: Protagonista traumatizada, co-protagonista que é o único que a entende, meio mundo contra os dois, rivais-a-lot. O básico de todo pacote shounen. E daí? A gente vive atolado em clichês, então, se essa obra faz isso direito, eu vou é ler tudo que puder.
A começar, Freezing se passa em uma versão alternativa da nossa Terra, em que um fenômeno semi-natural, meio que sobrenatural, simplesmente dizimou parte do mundo com a vinda de monstros enormes capazes de destruir humanos como se matassem moscas. Para contê-los surgiram garotas capazes de absorver alguns fragmentos dos monstros, chamados de Nova, e transformar em habilidades e armamento. A essas garotas foi dado o título de Pandora e, após o primeiro grande combate, fundaram academias para treiná-las e formar um exército, as West e East Genetics. Nessas academias as Pandoras desenvolveriam suas armas e encontrariam parceiros, garotos e até garotas capazes de gerar um campo de Freezing (similar ao Terror Absoluto de Evangelion) que poderia travar os Novas e permitir que as Pandoras os abrissem como aquele queijo da tábua de frios da sua mãe no Reveillon. E acreditem, isso dá brecha para muitas lutas.
E o estilo de luta dela não é fraco não.O mangá começa com uma pequena explicação meio mal-cheirosa do que aconteceu no passado desse mundo, quando surgiram os Novas, e já somos apresentados a Kazuya Aoi, o irmão mais novo de Kazuha Aoi (é, que original), a heroína das Pandoras, que entrou para a West Genetics para se tornar um parceiro. Logo em seguida o garoto vê uma loira linda de costas e acha que é a irmã mais velha (que, só por curiosidade, MORREU) e acaba pulando e abraçando nela. O que ele não se tocou é que a garota não era nada da irmã dele e acabou abrindo guarda para que ela fosse atacada por uma rival da academia… E perdeu. Pela primeira vez. É… Se ele já não pisou na merda do elefante o suficiente, o apelido da garota é “Rainha Intocável”. Um minuto de silêncio pela morte do protagonista. Cri cri.
Massagem facial por Satellizer: R$500Certo, certo, não é pra tanto. A Rainha Intocável é Satellizer L. Bridgette, uma rica e poderosa Pandora, mas que simplesmente não consegue um parceiro. Por incrível que pareça, o motivo é bem idiota, ainda que, a medida que a conhecemos mais, faz muito sentido. O que ajuda um pouco a deixar o clima agradável para a longa introdução da história é que, sinceramente, o traço é ótimo, daquele jeito shounen comum, mas que encaixa bem com a personalidade dos personagens. O jeito de Satellizer é bem sisudo e ela é retratada com traços mais densos, mais detalhes e principalmente aquele olhar de superioridade que poucos podem ter e não ser arrogante. Aliás, Freezing é ecchi, até que bem ecchi, com uma pitada de harém, ainda que o protagonista só possa ser agraciado com duas ou três delas. A graça da coisa é que, pela primeira vez em muitos mangás que li, ele não é idiota, sabe que tem gente em volta dele com curvas suficientes para se fazer um campeonato inteiro de Fórmula One, mas é bem objetivo, então, não fica babando, tentando ver a calcinha das garotas ou fazendo piadas que cansam depois de um tempo.
Se bem que… Er… Pois é…As lutas de Freezing são muito bem estruturadas e até mesmo primorosas em alguns casos, com batalhas sanguinolentas em que existe a possibilidade REAL de um personagem morrer. Ah, isso porque eu esqueci de falar, as tais Armas são lâminas, facas, adagas, lanças, soqueiras, tudo feito de “Nova”, ou seja, completamente mortais. Não é raro ver um personagem bem acabado com ferimentos grandes em algum canto. E tem aquele detalhe comum de todo shounen, pra variar, os protagonistas possuem poderes acima do normal, ou seja, vez por outra temos aquele momento de tensão absoluta em que os personagens dão um salto evolucionista e aparecem novas habilidades… É, com certa frequência até.
Em japonês, deve estar escrito “I´m MOTHERFUCKER!”O melhor é que nos volumes atuais o foco desviou um pouco e entramos num arco de (carnificina) lutas desesperadas pela sobrevivência, o que tem gerado boas cenas de batalhas e lamento, além de poder aprofundar mais personagens do que o sexteto (acho que são seis mesmo) principais. Freezing até agora está só no começo, então pode render uma boa série shounen.
