dez 15 2010
Fillers, para que te quero?

Não sou muito exigente com o que assisto, se fosse não teria acompanhado metade dos mangás e animês que conheço. Isso não é bem um defeito, mas também não é uma qualidade e acho que não tem muito a ver com o texto. De verdade eu acho que só precisava de uma encheção básica antes de adentrar no assunto do título. É, esse mesmo: Fillers.
Em toda a minha curta vida de otaku pude perceber que nem todos os fillers são iguais e não estou falando apenas que eles mudam de mangá para mangá. O que quero dizer é que percebi três tipos básicos de fillers que são usados exaustivamente pelos mangakás. Esses tipos podem ser ruins ou não, dependem do modo que são usados e de como são feitos. Sendo assim, eles podem ser: Filler “Encheção de Lingüiça”, Filler “Explorador” e Filler “Mundo Paralelo”.
Filler “Encheção de Lingüiça”
O mais fácil de identificar, afinal é o que mais se têm por aí. É aquela história sem pé nem cabeça que o autor coloca no meio da trama para dar uma enrolada básica, aumentar o número de páginas ou simplesmente dar um tempo enquanto ele inventa algo melhor para a história principal. O exemplo mor é Naruto, que tem fillers saindo pelo ladrão. No caso de Naruto, isso acaba prejudicando a trama e alongando-a em demasia. A história principal ganharia muito mais agilidade e dramaticidade se fosse concentrada, sem todas as eternas distrações.
Dragon Ball Z também teve diversos fillers. Se recordarmos as primeiras temporadas de Dragon Ball, quando Goku ainda era pequeno, a história é igualmente enrolada, porém a sua continuidade é maior. A história era única seguindo uma seqüência quase lógica. Mas após o acréscimo do Z ao nome, a entrada dos fillers e a enrolação se tornaram maiores, tanto que muito tempo depois da conclusão das aventuras de Goku e seus amigos foi lançado Dragon Ball Kai, para resumir as sagas Z, tornando a história mais ágil e agradável de assistir.
Claro que essas enrolações ajudam o animê a continuar andando enquanto o mangá ainda é produzido, já que produzir um capítulo de mangá demora mais do que a produção de um episódio e foi para que a TV acompanhasse a história do papel que os fillers foram inventados. Mas nem por isso deve-se abusar deles, senão acabam virando um universo alternativo.
Fillers “Mundo Paralelo”
Essa modalidade ao invés de atrapalhar ajuda, porquê ao mesmo tempo que não prejudica a história original, mata a ansiedade dos fãs. Esse filler surge quando a história de um animê se distancia tanto do mangá que pode ser visto como uma obra separada, sem qualquer prejuízo a trama ou entendimento do espectador. O exemplo mais bem feito desse tipo é a primeira versão em animê de Fullmetal Alchemist, que a partir da invasão do quinto laboratório se tornou uma história paralela a do mangá, tendo seus próprios segredos, soluções e vilões.
Cito este exemplo porque a qualidade com que ele foi produzido impressiona. Ao invés de cair no principal erro dos fillers e ser inconsistente, a trama não perdeu sua densidade com as mudanças de rumo, apenas mudou-se a perspectiva de visão que se tinha dos personagens e do plot original. Foi completo com inicio, meio e fim, mas, principalmente, com um fim aceitável.
Filler “Explorador”
Esse é o que desperta mais ódio e amor do que qualquer outro. Ao mesmo tempo em que você o adora por dar mais um pouco de seus personagens preferidos para se apreciar, é o que pode te levar ao céu ou inferno. Se for bem feito é a glória, se for mal feito, preparem o dedos e vamos “xingar muito no twitter”.(Nota do revisor: Não trabalhamos mais com redatores que “xingam muito no twitter”)
Esse tipo tem duas vertentes: os filmes e as eternas continuações ou episódios especiais.
A trama já acabou, você já viu o final, odiou ou amou o mangaká. Mas… Eis que para aproveitar o sucesso da história é lançado um especial ou então um filme. E aí os fãs gastam mais de seu rico dinheiro para comprar a revista que saiu o especial ou o DVD da animação. Todos ficam felizes, mais uma coisa para a coleção. Mas pode ser tão decepcionante, pois não acrescenta nada para a história original e na maioria das vezes não é o que você espera ver.
Para dar um exemplo bem recente, para mim, o filler que saiu de FMA: Brotherhood, o qual conta uma história sobre Roy Mustang durante a academia militar. Quando soube as primeiras notícias sobre esse OVA, fiquei esperando algo relacionado com as fotos que aparecem no final. O episódio foi bom, mas ao mesmo tempo foi decepcionante porque havia coisas mais interessantes a serem mostradas, expectativas demais.
Mas nem sempre esse tipo de filler é inútil, existem poucos casos em que detalhes acabam fazendo parte da história principal. O exemplo que encontrei foi de One Piece (obrigada, Chefe!), que em um desses filmes fillers descobriu-se o golpe mais poderoso de Ruffy, Gear. Essa descoberta foi acrescentada a história original tornando o personagem mais forte, contribuindo significativamente para sua evolução em luta.
Por fim, para encerrar essas divagações vale dizer uma coisa: fillers, amando ou odiando, eles não vão deixar de existir. Então se sente, relaxe e aproveite. Qualquer coisa a caixa de comentários está aí para vocês falaram mal deles.
