jul 19 2011
Eu Fui – Anime Friends 2011

Eu sou muito regionalista, isso é um fato consagrado. Se for possível, prefiro sempre algo da minha cidade, Estado ou, em alguns casos mais exagerados, país. Até entro em discussão com outras pessoas que denigrem o que é daqui só porque É daqui, ignorando qualidade ou vantagens. Mas, dentro da questão eventos, eu sou MUITO focado nos de Santa Catarina, a ponto de gastar uma grana indo pra quase todos os que tiver no ano, em vez de gastar quase a mesma grana pra ir no Anime Friends. A última vez que fui, até 2011, foi há quatro anos atrás. Agora, voltei, para confirmar uma definição que tenho desde essa data: O AnimeFriends é um evento de animê em larga escala, tudo é gigante, mas principalmente, é um feirão.
Pra começar, vamos pelo fato de que, ao visitar um evento de animê eu espero ver atrações, no mínimo, a ver com o mundo dos “otakus brasileiros”, mesmo que não necessariamente japonesas. Se eu visse Cauê Moura tirando sarro dos fãs com um rap bem humorado citando Naruto, eu não estranharia. Mas alguém pode me dizer o que levou o AF a colocar Fresno em sua programação? Digo, as salas temáticas terem Supernatural, Harry Potter e coisas do tipo é uma coisa, é uma ALA separada. Agora, ocupar o palco principal com uma banda de rock (sim, podem chorar, espernear, o que for, mas ROCK é um termo MUITO amplo) que nada tem a ver com o evento é outra, completamente, e não faz sentido. Aliás, Angra também não faria, mas eles tocam Pegasus Fantasy, então todo mundo esquece disso enquanto canta “Saint Seiya… Guerreiros das Estrelas”. Mas e aí? Este é o pior que a Yamato pode apresentar? Não.

Quando fui a Sampa na outra vez, tive um problema sério: O lugar é enorme, a sinalização pode ficar um pouco confusa e não tinha noção real da programação do evento, que hora atrasava, hora adiantava. Sem um sistema de som (que em muitos eventos pequenos é facilitado exatamente pelo tamanho do local) avisando, perdi boas partes das atrações. O que dizer então dos shows. O mesmo aconteceu esse ano, mas muito, muito pior. Desconhecia muitas das possibilidades do evento, que parece ter sido completamente voltado para as bandas, e por isso não aproveitei tudo que queria ou poderia. Para deixar claro que não fui o único, cheguei ao evento de caravana e na volta ouvi mais da metade reclamando de não ter conseguido ver ou encontrar determinado estande. Vim a pegar um mapa do evento por acaso, quando, com muita sorte, encontrei o Guarda-Volume. Colocá-lo em uma salinha ao dentro do pavilhão temático fez rolar a piadinha “Essa é a sala do Universo das Mochilas?”. Sim, isso foi uma piada. Culpe o calor.

E aí vem outra questão importante: Em um evento enorme, calor pra caramba, com boas áreas pra colocar a Praça de Alimentação… Por que transformá-la em um corredor, com uma dúzia de mesas do lado de fora e uma armadilha para o domingo, dia em que o evento REALMENTE lota? Não só por mim, mas muitos que estiverem no evento não conseguiram comer, por causa da dificuldade em comprar comida. Sim, não foi a falta de variedade (que tinha muitas opções mesmo) ou o preço (alguns estavam caros, outros…), mas sim chegar a alguma das barraquinhas e pegar o que queria. Ainda que na sexta e no sábado tenha sido complicado (a disposição impossibilitava de entender algumas das lojas), no domingo era uma quest épica, típica de nível máximo de MMORPG´s. Tanto que deu briga, com pessoas se empurrando, encoxando, xingando, até chegarem aos finalmentes dos socos. E aí, a segurança, que nem era tão boa assim, precisou apelar. Não sei se terminou bem ou não, mas vou lembrar de fazer cosplay de Cavaleiros do Zodíaco na próxima vez que for. Talvez consiga sair sem levar porradas no estômago de gente tentando comer.

Falando em montagem de áreas, alguns dos seis pavilhões do evento tinham uma distribuição tão ruim que posso facilmente ter deixado passar alguma ótima compra ou hora de diversão. Tudo bem, eles escolheram um shopping abandonado para sediar o Friends, mas custava utiliziar mais do que as quatro paredes do pavilhão e fazer construções decentes? Digo, em 2007 ainda não haviam demolido as paredes das lojas onde ficou a parte de estandes (ou, na minha humilde opinião: Armadilha de Turista), e por isso as lojinhas estavam muito bem localizadas, apesar de terem algumas tão iguais às outras que poderia confundir o visitante desatento. Esse ano, sem essas divisórias, apelaram para o tradicional e duvidoso sistema de barracas, daquelas de feiras livres. Ok, em eventos pequenos, com 10, 12 estandes, em uma área que você pode visualizar tranquilamente a porta oposta é uma coisa, mas em um pavilhão com mais de 30 estandes? Doeu, hein? Teve lojinha que saiu perdendo, escondida ali entre outras grandes.

Indo para os finalmentes, há alguns elogios para o evento sim. Gostei das áreas de games onlines, que conseguiram entreter o público por algum tempo. Também foi bom ver alguns shows de bandas, apesar de que o critério para a escolha de covers deveria ser mais do que “toca música de animê, então vai”. Nem todas valeriam um ingresso, principalmente estar naquele palco enorme do evento. Se valeu a pena ir ao Anime Friends 2011? Olha, pelas coisas que não tiveram participação da organização, como encontrar alguns amigos, momentos cômicos com cosplays e otras cositas más, sim. Mas pelo que o evento dispôs… Prefiro esperar mais quatro anos pra voltar a São Paulo, fico com os daqui de Santa Catarina mesmo. Mesmos gastos, mais diversão.
Bruna
Sou apenas a secretária!

