ago 22 2011
Era uma vez no Anima Mundi…

Quando vou ao Rio, costumo repetir algumas coisas que já fiz lá e sempre me trazem boas lembranças. Uma delas é ir ao Anima Mundi, sendo que no ano passado infelizmente só pude ir um dia, porém este ano esperei com ansiedade o início do evento. A princípio estava animada apenas para ver as animações e aos filmes, isso até que olhei atentamente o programa e li um nome: Shinichiro Watanabe.
Não sei o que fiz primeiro, se foi soltar uma exclamação de surpresa e alegria ou dizer ao revisor que havia um compromisso para a sexta. Mas acho que foi o meu queixo que caiu e balbuciei: “Eu verei Shinichiro Watanabe”.
Antes de continuar a história, vamos a alguns fatos básicos. Primeiro: Anima Mundi.

Anima Mundi é um evento internacional de animação, com diversas atrações, que ocorre em julho no Rio de Janeiro e em São Paulo. Iniciado em 1993, este festival procura reunir e divulgar diversas técnicas e formatos de animação, não possuindo critérios específicos a não ser um: deve ser animação.
Reunindo animações de curta, média e longa metragem, comerciais e seriados, desde as técnicas mais avançadas até as mais tradicionais. É um festival tanto para celebrar cultuados animadores, como para revelar novos talentos. O Anima Mundi possui além das exibições e mostras competitivas, um conjunto de oficinas onde os espectadores podem fazer suas animações, escolhendo entre 7 técnicas diferentes: desenho animado (2D), zootropo, massinha, pixilation, areia, recortes e animação direta na película 35mm.
Essas oficinas ocorrem em praticamente todos os dias do festival, em horários alternados, dando oportunidade para que todos participem. Eu pude acompanhar duas dessas oficinas e foi realmente surpreendente a participação do público e também o quão interessante aquelas produções realizadas ao vivo podiam ser.
As mostras competitivas se dividem em: Prêmio Juri Profissional, Prêmio do Público – Juri Popular, Prêmio Aquisição Canal Brasil, Festival Anima Mundi – Júri Profissional subdividido em Melhor Filme, Melhor Animação, Melhor Roteiro, Melhor Trilha Sonora, Melhor Direção de Arte e Melhor Filme de Portifólio; Júri Popular que conta com Melhor Longa, Melhor Curta de Estudante, Melhor Curta Infantil, Melhor Curta Brasileiro e Melhor Curta. Este ano nenhum dos que assisti ganhou, infelizmente.

Ele conta ainda com as Mostras Especiais e o Papo Animado, um encontro entre o público e animadores conceituados. E é aí que entramos na segunda parte de nossa história: Shinichiro Watanabe.

Para quem não conhece (levantem a mão para serem punidos), Shinichiro Watanabe conhecido escritor e diretor de animação japonesa. Se você já assistiu Cowboy Bebop e Samurai Champloo sabe bem quem é ele. Seus trabalhos são marcados por um alto componente musical: Cowboy Bebop brinca com jazz, blues e funk, combinando com a voz de Yoko Kano, rendendo ótimas músicas como Blue, The Real Folk Blues e Butterfly; já Samurai Champloo mistura aventura samurai na Era Edo com hip hop e alguns sons de vinil com scratches. E tudo isso com uma história rica, personagens cativantes com personalidades profundas e um clima totalmente despretensioso que te faz ficar ainda mais vidrado no animê.
Após essas pequenas apresentações, voltaremos ao dia 22 de julho, a Praça Animada no Centro Cultural dos Correios. Lá, onde aconteceu um dos eventos que mais me marcou como otaku.
Shinichiro veio ao Brasil devido uma parceria entre o Instituto Japão POP Br e a Dô Cultural, que propiciaram um delicioso encontro entre ele e o seu público. O Papo Animado iniciou-se com ele contando um pouco de sua trajetória e com a apresentação de algumas de suas produções, os episódios de Animatrix que ele dirigiu e uma de suas últimas produções: Michiko & Hatchin.
A paixão que ele demonstrou pela música brasileira e pela animação foram emocionantes. Estando ali senti como se estivesse em casa, ouvindo sobre animação japonesa e tendo a minha frente um de meus grandes ídolos. Difícil explicar ou definir a emoção que senti ao entrar naquele lugar e dar de cara com Shinichiro Watanabe ou ouvi-lo falar ao vivo. Esse era o tipo de coisa que não esperava acontecer em minha vida.
Quando assisti Cowboy Bebop e Samurai Champloo, não fazia idéia de que dali um tempo teria oportunidade de ver seu idealizador, ouvi-lo contar sobre suas influências e ainda mostrar detalhes que muitas vezes passam despercebidos por nós espectadores. E ainda compartilhar essas emoções com outras dezenas de pessoas que estavam ali por admirar o trabalho dele, te faz sentir que mesmo sendo otaku, não está sozinho neste mundo.

Só tive uma desilução neste dia: sentei duas fileiras atrás do Guilherme Briggs e não o vi. Teria sido ainda mais perfeito.
Ah, tem um vídeo feito pelo Briggs também sobre este dia:
Fontes: Anima Mundi
Agradecimento especial ao Guilherme Briggs que permitiu a inclusão do vídeo.
Bruna
Sou apenas a secretária!

