mar 15 2010
Editora isso, editora aquilo… MIMIMI

Algo que eu sempre me pergunto é: Por que tem gente que se importa com QUAL editora vai lançar tal mangá no Brasil? No geral, elas são bem parecidas: Trazem em versão Tankohon um pouco pequena, com qualidade mediana e por um preço nada razoável. Saudades das primeiras edições da JBC, que eram por R$2,90 e eram pequenas, cê guardava até no bolso da calça. Claro, isso há quase dez anos, quando mangás estavam chegando pra competir com gibizinhos, não com as edições de luxo da Panini e outras que estavam atolando o mercado, numa mudança obscena de qualidade. Oh, wait, há realmente algo a dizer sobre as editoras: Como elas trabalham o que recebem. Vamos lá.
Comecemos pela ovelha negra, a Conrad. A primogênita dos mangás da nova geração trouxe durante muito tempo alguns clássicos e foi quem introduziu (ui) para os ocidentais One Piece. Começou com bons trabalhos com Dragon Ball, Cavaleiros do Zodíaco e até a comédia Dr. Slump. Tropeçou algumas vezes, principalmente com Blade – A Lâmina do Imortal e Vagabond, mas isso era apenas o começo. A queda de verdade viria depois do término tando de CDZ quanto de DBZ, quando o carro-chefe era One Piece e mesmo Vagabond e Blade sofriam com a chance de ser canceladas (isso pra não citar OUTROS exemplos). Pra fechar, Ragnarok, que tentou pegar o rastro deixado pelo jogo online da Level Up, não fez tanto sucesso assim e foi deixado para trás. Logo, a Conrad deixou vários fãs órfãos e praticamente sumiu do mapa. Vez ou outra vemos movimentos e achamos que é uma ressurreição, mas na realidade são apenas gases acumulados que se liberam do corpo decomposto…
A Conrad deixa saudades, mas não a JBC, sua companheira de início da nova geração. A editora especializada em produções japonesas começou bem, trazendo os mangás de alguns dos sucessos do Cartoon Network, como Samurai X e Sakura Card Captors, mas o começo da sua grande era veio com Fullmetal Alchemist. O problema principal da editora era sua forma de publicação. Hoje, FMA, Tsubasa e Holic ainda mantém o formatinho, que divide o volume japonês ao meio, mas para cada um desses há vários de Hunter X Hunter e Nana. O motivo para a editora ser a mais querida dos fãs é a forma como trabalha com os mangás. Cada vez que uma das suas séries acaba, a editora procura outro trabalho do mesmo autor ou do mesmo gênero. E continua trazendo bons títulos e com fidelidade. O entrave é o preço dos volumes tankohon, que dói pra burro no bolso de cada fã.
Na rasteira dessas veio a Panini, que iniciou sua carreira de gigante dominando o mercado de HQ´s, já que é a distribuidora nacional tanto da Marvel quanto da DC (que inclusive já tiveram mangás). O que aconteceu em seguida foi que a italiana das figurinhas apelou e trouxe, de uma vez só Bleach, Gantz, Naruto e vários outros grandes mangás. O problema da editora é com a padronização. Se a JBC já sofre em deixar seus mangás em formatos parecidos, a Panini muda de um para outro com a facilidade com que adquire títulos novos. Se isso lhe parece pouco, conte quantos mangás que você compra que tem o logo da editora. Quer mais? A Panini também não padroniza no período de cada mangá, alguns são bimestrais, mas contam como mensais; Outros são mensais de verdade, mas quase ninguém compra; Por fim há aqueles que são bimestrais, mas atrasam mais do que aquela parte do mês da sua namorada. É, e complica tanto você quanto a sua namorada. Se há motivo para que não gostem da Panini, é o seu descaso em manter as suas publicações em dia (os fãs de Gantz que o digam).
Por fim, há duas editoras de menor porte, mas que vem comendo (ai) pelas bordas (e como borda de Catupiry é bom…): NewPOP e Savana. A primeira é mais conhecida dos otakus por aí e já trouxe alguns manwhas de certo sucesso, como Tarot Café e Doors of Chaos. Já a segunda, aos poucos tem construído uma imagem de desequilibrada, similar à da Panini, com lançamentos que variam do meia-boca para a perfeição. Se por um lado essas editoras são menores em números, por outro seus fãs não sofrem tanto em esperar os lançamentos, já que elas mantém um calendário bem estruturado (ou quase, já que a Savana atrasou DOIS lançamentos em alguns meses). Se serve de consolo, elas não se atreveram ainda a trazer os maiores nomes coreanos, ainda que eu gostaria de ver Immortal Regis nas bancas brasileiras. Faria bem para quem está acostumado a mangás de porradaria com histórias simples.
Levantando todas essas qualidades e defeitos das editoras, é até entendível que os fãs façam tanto alarde e… Não, não faz sentido. Por mais que elas tenham diferenças entre si, TODAS são culpadas de alguns dos problemas do mercado nacional. Só dizer que uma editora é melhor que a outra é simplesmente assumir um lado olhando pros defeitos do outro sem perceber a enorme sujeira que o seu lado deixou na parede do banheiro (e se isso ficou confuso, problema seu). Digamos que eu soubesse que Bakuman vai ser trazido pela JBC. Ah, legal, é a editora mais fiel aos fãs das que citei, tem história de bons lançamentos e com o Obata (trazendo Death Note e Hikaru no Go), mas e daí? Vou continuar pagando R$10,90 por uma qualidade que nem sempre agrada (a instabilidade com os volumes de Nana é um problema SÉRIO). E a Panini cobraria R$9,90, um real que faz falta, por mais que a editora-monstro possa trucidar a droga da programação do mangá (que nem lá no Japão atrasa). Prefiro reclamar que nenhuma delas tenta oferecer preços mais agradáveis que me preocupar com qual delas vai trazer. Quando os preços baixarem consideravelmente, aí sim eu penso nisso.
