É sua vez, Kubo!

KUBOOOOOO!!!

É meio que covardia seguir a lista com Kubo. Primeiro porque, depois de falar mal do Oda, e da profunda análise de Kishimoto, Kubo é presa fácil, mas com uma recompensa. Ao contrário dos outros dois autores, eu vi a estréia de Kubo com Bleach em tempo real, ou praticamente quase. Li o primeiro capítulo dias depois de sair na Jump e dei um salto na cadeira em ver algo tão legal quanto shinigamis em formato de samurais enfrentando monstros gigantes. Para um adolescente necessitando de shounens decentes e quando One Piece estava só começando por aqui, eu idolatrei Bleach por meses, diria até anos. E então me tornei crítico, amargo e muito mais maduro e passei a pesar a diversão. Ainda hoje leio Bleach desligando o cérebro pra entrar no clima, mas é só terminar que passo a avaliar o que li. E é nesse clima que venho aqui hoje, destrinchar Kubo Tite, o autor dessa obra.

Eu poderia citar tudo que passou pelo texto de Kishimoto e não estaria mentindo. Assim como em Naruto, muitos coadjuvantes passam por Bleach, com a singela diferença que na obra shinigami, o destino deles é se tornar bucha de canhão e entrar em batalhas aleatórias que de vez em quando consomem volumes sem trazer grandes mudanças na trama, quando não viram adubo para o Hueco Mundo. Sério, a morte de tantos Arrancares (prefiro essa versão do nome) me deixou de cabelo em pé. Muitos deles estavam crescendo nos nossos conceitos e poderiam vir a serem endeusados, no mesmo patamar que Abarai Renji, Kuchiki Byakuya, Zaraki Kenpachi e… Hitsugaya… Não, não curto muito o pirralho com poderes de gelo que desde que mostrou a Bankai só batalhou de forma besta e não vi fazer nada que preste. Congelar a Halibel só piorou minha opinião sobre ele. Some, anãozinho.

Outra questão que é importante frisar em Kubo é sua necessidade de fazer seu protagonista se impressionar ad infinitum. Ok, viver colocando reviravoltas exige que o personagem arreagale os olhos, se espante por um segundo, talvez até mesmo implore por explicações, mas deu né? Aizen sofre do mal Caneta do Desenhista, que lhe permite saber de tudo, independente de alguém ter inventado isso há uns três quadrinhos e ter sempre um plano B, ou já ter se preparado pra aproveitar daquilo e levar Caos ao mundo. Sério, quando chegou na terceira vez que ele disse “Como eu planejei” só pro Ichigo fazer aquela cara que o Tite adora desenhar apenas menos do que ama peitos, eu quase parei de ler o mangá. Quase. Fidelidade é assunto sério pra mim. Aliás, falemos dos desenhos de Kubo.

Ele desenha bem pra caramba. Kishimoto, aprenda por favor. O traço de Kubo tem estabilidade, tem consistência. Ele usa MUITO preenchimento de espaço com tinta preta ou branca, mas FUCK, ao menos faz algo! Você nem faz os cenários ou os quinhentos tapa-buracos de Konoha que põe em cena! E o visual de todos os personagens só melhorou. A versão atual de Inoue é tão agarrável que eu sempre fico em dúvida quando Hinata aparece em Naruto. Ahem… Continuemos. Então, qual a reclamação, Black? Na realidade, nenhuma. Houveram vezes em que ele esticou personagens até eles ficarem anoréxicos e certas lutas ficaram estranhas, mas isso é normal. Ou… Tem sim um problema, cherie… Comédias visuais. Pare com elas. Por favor.

Alguns momentos é engraçado ver personagens idiotas cruzando a tela, apanhando ou fugindo, até mesmo tentando enfrentar inimigos mega-poderosos pra dar uma aliviada enquanto o herói chega. Eu gostei da aparição de Don Kanonji. Por outro lado… O tenente da Soi Fong, que prefiro não lembrar o nome, merece uma morte lenta e dolorosa. As lutas pelos pináculos que mantinham a falsa Karakura só foram piores porque tinham esses personagens apanhando, causando vergonha alheia em massa. Até a batalha de Yumichika foi menos vergonhosa e ele enfrentou um cara que era mais Drag Queen que ele! E tem ainda a versão brabuleta de Aizen. Aquilo foi com intenção de rir, claramente, não existe outra explicação.

Para pisar na ferida e abrir ao estilo pancadaria de Bleach, certos mistérios não fazem muito sentido. Deveras vezes Kubo precisa repetir e repetir para que as pessoas aceitem suas teorias mirabolantes ou aguentem esperar um número gigantesco de capítulos para que uma nova explicação seja dada, geralmente pelo avatar do autor, Aizen. Quantas vezes já repeti esse nome aqui? Igualmente aos Uchiha, Aizen é o centro de Bleach em completo oposto à Ichigo, mas ao contrário de Sasuke, Aizen não era amigo do herói, não decaiu ou mesmo tevê contradições em suas atitudes. Ele permaneceu o mesmo do início ao fim, se é que podemos considerar um fim. Só que isso encheu o saco. MUITO.

Aizen e Ichigo são dois monumentos de Bleach. Há muito foram construídos, com bases sólidas, levando muito tempo para que ficassem prontos. Assim que terminaram, se tornaram marcos da história, blocos que atraem personagens à sua volta, produzindo a trama. Com a evolução dos arcos, os picos dessas pirâmides sofrem modificações, de acordo com o tipo de fenômeno que sofrem, mas suas bases permanecem as mesmas. Só que em Bleach, as mudanças são apenas superficiais, baseadas em poder e no máximo em frases de efeito. O que vemos é uma repetição de ações. Em todas as lutas do Ichigo que envolvem personagens chave, ele entra na batalha de uma forma despreparada, sofre um golpe forte, é violentado pelo inimigo e então precisa ressurgir, com uma técnica nova que eliminará o oponente. Podem argumentar que contra Aizen não foi assim, mas lembrem-se que mesmo com Byakuya ele teve pausas para treinar. É um ciclo, que bem alimentado pode ser legal para o leitor. No caso de Kubo, o efeito não raras vezes cansa. E como cansa.

Termino dizendo que, diferente de Naruto, Bleach tem maiores chances de se recuperar da queda de qualidade. É uma questão de alterar a perspectiva, coisa que Kubo já parece ter feito. Enrolado, o novo arco começa com calma, para apresentar de verdade seus novos personagens, dar tempo para que o público goste deles. E talvez eles não sejam apenas bucha de canhão. Resta continuar lendo e esperar pelo melhor.

Black

O editor-chefe da bagaça aqui. Responsável por tudo que for publicado. É... Legal, hein?