jan 26 2009
Dissecando Naruto – Segunda Parte

Só pra lembrar, assim como na semana passada, meu conceito de spoilers é bem limitado. Acredito que quem resolveu continuar minha saga debatendo essa obra deve ter procurado se atualizar um pouco mais, então me dou ao direito de citar alguns fatos que passaram no Brasil, mas também aviso que posso citar de leve momentos que ainda virão. Não se preocupem, não vou prejudicar ninguém aí.
Se o mangá de Naruto fez sucesso (Tem dez anos de carreira, alguma dúvida?), é claro que os olho$ gordo$ dos produtores tinham de transportá-lo para um anime. De sucesso tão grande quanto. Assim as crianças japonesas começaram a acompanhar a história de Uzumaki Naruto tentando virar Hokage.
Talvez esse tenha sido o maior pecado de Kishimoto: Transformá-lo em anime. Enquanto que no papel a história fazia sua fama pouco a pouco, nas telas Naruto estourou, fazendo popularidade no oriente e no ocidente. Foi uma boa transposição e muitos dos elementos foram mantidos, além de que ver habilidades como o Kage Bushin no Jutsu e o Raikiri de Kakashi em movimento fazerem os fãs delirarem. Mas, se por um lado eles ganharam, em outro lado eles levaram um bruto golpe: A fidelidade à obra.
VER e OUVIR os estralos do Raikiri foi um bom motivo para o anime… NOT!Naruto como anime conseguiu angariar o público que tanto a Shonen Jump quanto Kishimoto queriam. Por isso, os produtores fariam o que fosse possível para manter esse público grudado na tela, toda semana, fielmente. E assim o anime se desdobrou. Como era fácil encaixar dois ou três capítulos (Ás vezes até cinco ou seis) em um mesmo episódio, logo o anime perigou alcançar o mangá, como aconteceu em Bleach, e não poderiam se dar ao luxo de estragar surpresas ou antecipar situações. Não se pode lançar uma continuação de um filme baseado em um livro sem sair o livro anterior antes não é?
E assim nasceram os famosos fillers, principal vilão dos fãs do anime. Episódios sem sal, situações ridículas, variações de poder estúpidas. A maioria dos episódios se tornou descartável, fazendo parte de duos ou trios de arcos sem graça. O público que tinha mais gosto pela obra do que pela pirotecnia começou a abandonar e abriu espaço para as pedras que vinham de quem não gostava de Naruto. Só que nem tudo era flores no mundo do ninja mesmo antes disso.
Tem certas coisas que preferíamos que nunca tivessem sido pensadas…Alguns elementos que tinham credibilidade no mangá se tornaram infames no anime, como a infantilidade de Naruto, ampliada para alcançar um público mais jovem. Por mais que os fãs culpem os EUA pela censura do anime (Retirando nudez, sangue e violência), mesmo no Japão o anime se dava ao luxo de cortar cenas mais fortes, ou minimizar os danos. O resultado é que todo o início do anime, mesmo com a sanguinolenta presença de Sabaku no Gaara e Orochimaru, parece mesmo para crianças.
Outro ponto fraco da animação é a sua tendência à especiais e tapa-buracos. Vez ou outra alguns episódios acumulam, por causa de atrasos da produção, feriados (Que também afetam o mangá) e festividades. Aí eles fazem episódios de uma hora (Chegaram ao cúmulo de um episódio TRIPLO de uma hora e meia!) dos quais pouco se aproveita. Raros casos são lembrados, mas estes ainda não fizeram estréia no Brasil. Culpa do Cartoon Network, que potencializa a visão infantil de Naruto e não traz de uma vez os novos episódios.
Ao menos a trilha sonora de Naruto foi muito bem construída nas mãos de Toshiro Masuda, e convidando bandas para a abertura e a finalização, como as que se tornariam conhecidas com a série, Asian Kung-Fu Generation e Flow. Assim, os fãs se tornaram também ouvintes desse estilo musical. Pena que a versão estado-unidense, e por consequência a nossa também, não teve a capacidade de acompanhar uma tendência e limou as aberturas originais, colocando um mix de aberturas com um rock ridículo que não fala nada. E nem é bom!
A esperança dos fãs estava em Naruto Shippuuden, segmento que serve de “continuação” para a história original. Explico: No mangá, em determinado ponto, há uma ruptura na história e um novo arco é iniciado, com um salto temporal de alguns anos. Com isso, o mangá continuou com o nome de Naruto, mas o anime, que só seguiria essa história muito depois, por causa dos fillers, separou os dois iniciando um anime novo com o nome de Naruto Shippuuden. A nova animação possui os mesmos elementos da antiga, mas comete os mesmos erros originais muito mais depressa.
Mudanças no visual não foram o suficiente para melhorar a opinião geralSe hoje a maioria repudia a série, eu culpo o anime. Por todos os seus defeitos e por ainda exaltar os problemas do mangá. Raramente o anime consegue superar a sua versão escrita e nos apresenta uma boa supresa, corrigindo um erro cronológico aqui ou de poder ali. Mas esses raros exemplos não conseguem tornar essa obra melhor. E mesmo gostando de Naruto, eu tenho que dizer que o anime é muito ruim em seu todo.
