Da TV Tupi aos dias de Hoje

Ontem eu estava em casa jantando tranqüilo, conversando despretensiosamente com minha mãe e minha irmã. Durante essa conversa, minha mãe, a qual irei denominar Sra. Ray, trouxe um assunto no mínimo inusitado. Ela disse:

Sra. Ray : Nossa os desenhos de hoje são tão chatos, né? Bons mesmo eram os da minha época.

Ray: Imagino? Mas então me diga quais são esses desenhos maravilhosos de sua época que eu não conheço?

Sra. Ray – A tinha um monte: Manda Chuva, Mickey e tinha um que eu assistia quando eu já era moça enquanto eu cuidava de seu tio pequeno! Qual era o nome mesmo? era Speed…..

Ray: Speed!? O_o

Sra. Ray: Speed Racer eu acho.

 Vai, Speed, Vai

Opa, opa….opa! PÁRA TUDO, minha mãe, mulher que me deu a luz, assistiu durante um período da sua vida um animê? Impossível! Só podia ser brincadeira… Porém, por mais que parecesse, acreditem, não era… A Sra. Ray chegou a cantar para mim a música de abertura do Speed Racer…

Meu, depois que minhas idéias voltavam vagarosamente a minha cabeça, eu pensei: “Caralho cara! A quanto tempo existem animês aqui no Brasil?”

Pois então, amantes do mundo oriental, foi a partir dessa experiência surreal que eu tive com a minha mãe que eu tirei inspiração para dar a vocês uma aula de história dos animês aqui no Brasil.

Jovens, pasmem, mas os primeiros animês a pousar em terras tupiniquins não foram nem de longe os Cavaleiros do Zodíaco, Fly ou até mesmo o Speed Racer de minha mãe. Difícil de acreditar, não é? Mas aqui no Brasil existem registros de animês desde os anos 60 sabiam?

Nesses anos dourados, quando a sua mamãe era gostosa e o seu papai um punheteiro, eles podiam assistir animês na extinta TV Tupi, como o Homem de Aço (Tetsujin 28 Go), Esquadrão Arco-íris (Rainbow sentai robin), Super Dínamo (Paa man), MarineBoy (Ganbare) entres outros que foram surgindo. Alguns desses animês fizeram até um relativo sucesso aqui como o Homem de aço e Oitavo man.

 Homem de aço e a moda dos anos 60

Um pouco depois, nos anos 70, época em que cantadas do tipo “Fala Broto, você está supimpa hoje, vamos paquerar?” ainda funcionavam, surgiu o Ayrton Senna do mundo otaku: Speed Racer que minha mamãezita via com meu tio, ao lado de “A Princesa e o Cavaleiro”. Com toda a audiência que esses desenhos trouxeram, mais e mais animês foram chegando aqui no Brasil, animando a garotada fã de bolinhas de gude e de pião. Porém, foi a Manchete que trouxe o primeiro SUCESSO em animê!

Foi lá pelos anos 80, época que o Fabio Junior era galã de cinema, a banda Dominó fazia parte dos sonhos mais molhados de sua mamãezinha e o Michael Jackson ainda era negro, que essa saudosa emissora trouxe um desenho nipônico que era um sucesso em muitos países lá fora!!! Mas adivinhem qual era? Rufem os tambores…. Pan Pan Pan PAANN!! Cavaleiros do…. não, não, NÃO! Não foi Seiya e sua turma, mas sim a Patrulha Estelar. Pois é, o mega aclamado Patrulha Estelar passou aqui no Brasil fazendo a alegria de muitos papais nerds por aí.

 Os defensores da paz nos anos 80

É, e as surpresas ainda não acabaram meus queridos, Don Dracula, Zillion, Robotech e As Guerras das Galáxias deram suas caras aqui fazendo os antigos jovens de nosso amado país chacoalharem o esqueleto de emoção.


Antecessor de Hellsing e Crepúsculo

Viram, garotada, antes dos conhecidíssimos Cavaleiros do Zodíaco, Fly, Pokemon, DBZ, Super Campeões e Shurato fazerem da sua infância um lugar muito mais feliz, vários outros animês estiveram por aqui, fazendo a infância da SUA mãe e do SEU pai ser mais agradável!

Mas e ai me digam, a minha mãe assistia animê e a sua?