Conde Cain

Conde Cain

O que resulta se você mistura várias histórias de suspense, uma sociedade secreta criada pelo seu pai (que você jurava ter matado), uns dois ou três casos de incesto, um conde que coleciona venenos, um mordomo misterioso, humor negro e crimes insolúveis?

Parabéns, você acaba de descrever Conde Cain, um mangá criado pela mangaká Kaori Yuki, mais conhecida aqui no Brasil por sua outra série, Angel Sanctuary.

Cain C. Hargreaves seria o típico Don Juan da Inglaterra Vitoriana, bonito, charmoso e rico. Porém, como perfeição não se encontra em botique, um cara assim tinha que ter algum problema, ou no caso vários…

 Leitores, Cain… Cain, Leitores

Por onde começar??????

Ah, talvez deva começar pelo fato de ele ser filho de um incesto. É, você ouviu direito. Cain é filho de seu pai (dã… claro que é do pai dele…), Alexis, com sua irmã mais velha, Augusta. Essa mistura sanguínea é que dá a ele sua característica mais marcante: olhos verdes com uma luz dourada. (Tá, não dá para imaginar como seria, mas dizem que é lindo…)

Outro grande problema de Cain é sua paixão por venenos, mas isso é uma questão de família, já que os Hargreaves são famosos por seus venenos e crimes em família, eles são os “Borgias” da Inglaterra.
Ele também matou o seu próprio pai, ou supostamente matou, quando cansado de sofrer abusos e apanhar feito um condenado, Cain coloca veneno no cachimbo de seu pai, que mergulha para a morte após amaldiçoar o filho.

A história desse mangá se divide em duas partes, tanto no traço como no enredo. A primeira parte é um conjunto de histórias sem qualquer ligação, pequenos contos em que Cain se envolve em crimes ocorridos na grande Londres. O interessante dessa fase é que há histórias que não tem relação com o personagem principal, são publicações de desenhos anteriores da autora.

Nesta fase, são apresentados os personagens que realmente fazem parte da história, como Maryweather, meia-irmã de Cain, e como não deveria deixar de ser, uma menina de 10 anos que no auge de sua inocência (?) é apaixonada pelo irmão; Jezebel, também meio-irmão do Cain, mais velho e antagonista de nosso digníssimo herói, que tem o único desejo de arrancar os olhos de seu amado/odiado meio irmão; Riff, o mordomo, único que conhece o passado de abusos impostos a Cain pelo seu pai e com quem ele mantém um laço muito mais forte do que amizade, um relacionamento quase yaoi; e tem também Oscar, um suposto apaixonado por Maryweather, mas que na verdade é uma biba louca um amigo muito fiel de Cain.

 Riff amparando Cain após mais uma de suas investigações… Não pense bobagens seus otakus pervetidos!

No final da primeira parte, ocorre a introdução de um arco maior da história, com “A marca do cordeiro vermelho”, a autora apresenta a sociedade secreta Delilah, que divide seus integrantes como cartas de Tarot: 22 arcanos maiores e 56 arcanos menores, sendo que todos seguem as ordens do Card Master, que é ninguém mais, ninguém menos que Alexis, o pai que Cain pensou ter matado.

 Esse é o carneirinho vermelho…

Essa sociedade secreta é infiltrada nos grandes círculos da sociedade londrina e reúne diversos parias da sociedade, todos “com dons especiais” que servem a Delilah apenas em busca de seus propósitos pessoais. Propósitos estes que não envolvem a paz mundial…

A segunda fase, chamada “Gold Child” “God Child”, caracterizada por um traço andrógino dos personagens e em estilo mais noir, Cain resolve destruir a Delilah e impedir que seu pai traga mais sofrimento aqueles que ele ama.

Dessa forma, Cain enfrenta as cartas da Delilah e aos poucos vai descobrindo o plano secreto de seu pai, que envolve magia e cabala, entre outras coisas místicas. Acontecimentos estranhos ocorrem por toda a Londres e devem culminar no Dia do Julgamento, que é visto, de acordo com a filosofia(?) do mangá, como a chegada do inferno na Terra.

 Cain e Delilah… Repare no estilo noir do desenho.

Bem, muitos mistérios e reviravoltas ocorrem neste mangá que engloba 13 volumes (5 da primeira fase e 8 da segunda), e foi publicado aqui no Brasil pela Panini.

Acho que me alonguei demais nessa resenha, mas Cain merece esta atenção…