Animes e o Ocidente

Animeocidente

O canal Animax anunciou que, em novembro vai mudar a sua programação completamente. O canal vai parar de exibir somente animes e vai incluir seriados, filmes e músicas na sua programação (o que é meio irônico, já que no Japão esse tipo de coisa também faz sucesso) e vai virar um canal para adolescentes.
Essa mudança não é mundial, vai acontecer somente na America Latina, enquanto outros países continuarão com uma programação dedicada a animes, e a Europa vai receber o canal.

Eu não gosto Animax, e essa mudança não vai me afetar, já que eu não tenho Animax no Canadá e nem vejo necessidade disso, já que eu odeio assistir anime dublado. Essa mudança no canal, me fez questionar porque tentativas de trazer animes para nós, não estão funcionando muito bem.

O motivo por trás dessa mudança é bem claro: a situação financeira do canal não era das melhores. Um canal ganha dinheiro, basicamente vendendo coisas com seu nome e com anúncios. Se um canal vende muita coisa, mais empresas querem anunciar seus produtos no canal e oferecem mais dinheiro por isso. Portanto o público do canal tem que comprar para o canal ganhar dinheiro e trazer conteúdo melhor. Mas se o público do canal não consome, o canal está fadado a morrer, e esse é o caso do Animax.

“Otakus” ocidentais não consomem. Você não sabe o que é um otaku até conhecer um. Você pode conhecer pessoas que gostam de anime e de convenções e cosplay, mas essa pessoa provavelmente não é um otaku. Um otaku compra qualquer coisa que possua alguma relação com a sua mania, não se importando com as consequências. Se otakus existissem na nossa sociedade, o Animax não teria que fazer esta mudança, já que o motivo principal dessa mudança é a falta de dinheiro.

 Precisa dizer alguma coisa?

Não é a primeira vez que alguma coisa do tipo acontece. Lembram da época da Tectoy? Naquele tempo, o Brasil tinha jogos dublados e uma fornecedora oficial. Lembram do telefone da Tectoy?Aquele que custava uma fortuna por minuto, onde atendentes da Tectoy te davam dicas de como passar daquela fase no Sonic… Agora a mesma empresa está fazendo Zeebos. O mercado cresceu, a pirataria ganhou popularidade e agora não vale mais a pena pagar uma fortuna por um jogo, quando você pode comprar um piratão, alí na esquina. Nesse caso a culpa não é da Tectoy, que oferecia um bom serviço, mas as taxas e a pirataria acabaram com o mercado, e a Tectoy teve que se aproveitar de outro um mercado.

 Mega Drive > Zeebo

Mas André, não existem taxas sobre animes, você perdeu o jogo.

Calma voz narrativa fictícia representando a conclusão que o leitor pode ter chegado ao ler o trecho anterior, eu estou simplesmente analisando o cenário.

Como você disse, animes não são produtos físicos e não existem taxas sobre eles, então, o que pode ter levado o Animax a fazer esta hedionda mudança? Bem, o canal se apresenta com uma estratégia de marketing feita para o Japão, exibe animes velhos e porcamente dublados e se foca num público restrito, rigoroso e com várias alternativas. Vocês vêm o problema aqui? Acho melhor fazer uma lista, já que todo mundo sabe que listas são totalmente ÓSSOM.

1 – O mercado japonês é totalmente diferente do resto do mundo, então, a chance de uma coisa que funciona por lá funcionar em outros países é ínfima.
2 – Porque vulgos otakus assistiriam animes dublados com poucas/nenhuma referência à cultura japonesa, sendo que este, é um dos aspectos que atrai várias pessoas ao mundo Otaku?
3 – Porque o público do canal deveria assistir semanalmente animes feitos em 1995?(sim Evangelion, estou falando com você)
4 – O canal não transmite séries inteiras, mas repete a mesma temporada 3-4 vezes, antes de começar novos episódios.
5- No Japão existem personagens feitos especificamente para certos seiyuus. Qual a graça da Taiga sem a Rie Kugimiya? Ou da Akari sem a Erino Hazuki? Também existe o problema de sotaques, trocadilhos e, principalmente, bordões(Believe it!). Normalmente as vozes dubladas representam uma característica principal do personagem, e isso leva a vozes infantis que contribuem para a idéia de que anime é coisa de criança.

 Achar diferenças… posso voltar a fatorar aquele polinômio de quinto grau?

Eu conheci vários animes através do Animax. Comecei a ver DNA², HunterxHunter, Prince of Tennis entre outros, mas eu nunca consegui acabar nenhum deles, e isso me deixou extremamente frustrado quando eu tive que sair do Brasil. Eventualmente eu consegui assistir/ler tudo o que eu queria, mas eu fiquei com muita raiva do Animax quando eu descobri que estava assistindo coisas do século passado, e no pouco tempo que eu passei no Brasil, 6 meses atrás, eu pude ver que a atitude do canal não mudou muito.

O “otaku” brasileiro não compra cards, lençóis, travesseiros, mouses, pijamas ou coisas do tipo. O consumo do brasileiro se reduz a mangas e animes. Eu não vou gastar dinheiro porque se eu não comprar o mercado desaparece, é o mercado que tem que me atrair e não o contrário. O que o Brasil e o resto do mundo precisam, é que as pessoas estejam dispostas a gastar dinheiro com seus hobbies, mas pra isso acontecer, uma mudança radical na estratégia de marketing das empresas é necessária, e é bom ver que essa mudança já começou.

O que eu quero dizer com isso? Sabe o que é um simulcast? É uma “exibição simultânea”. Se você se mantém informado do que está acontecendo em relação a animes, você provavelmente sabe que tem um simulcast de One Piece acontecendo. Toda semana, 1 hora depois da exibição no Japão, tem um episódio de OP legendado oficialmente e com boa qualidade disponibilizado diretamente no site oficial. Não somente iniciativas como essa, mas também sites como Crunchyroll ajudam a mudar a mentalidade das pessoas em relação a animes.

Como trazer isso pro Brasil? Não me pergunte.