A Hegemonia da Panini

Esse mês eu levei um susto: Em um período de, no máximo, três semanas, a Panini não anunciou um ou dois, mas cinco títulos diferentes que teria adquirido, incluindo dois da mesma autora. Mas, mesmo com a possibilidade de todos os seus títulos se tornarem bimestrais, continua investindo em possibilidades novas e alargando seus espaço no mercado com britadeiras enormes (e a JBC já sentiu uma vez). Se isso por si só não é assustador, considerem que ela foi entrar na disputa dos mangás muito depois da JBC ter se consolidado e quando a CONRAD já estava dando seus últimos suspiros.

Para começar, por que a JBC é considerada a melhor do país? Simples, é uma empresa que pode até atrasar, mas sendo a mais antiga (variando de acordo com sua região), que trouxe títulos como Samurai X e Sakura Card Captors, ela fez fidelidade com os leitores, e ainda tentou agradar inovando sempre que pode. Também é aquela que mais completou títulos até hoje e muitos dos seus clientes possuem coleções completas em casa, sem se preocupar com ter que ficar correndo atrás de notícias de quando ele vai retornar. Para ser justo, poucas as vezes que tivemos que esperar algum tempo para comprar a edição seguinte.

Por outro lado, temos a filial brasileira da gigante italiana. Quando começou, estava já dominando os quadrinhos, sendo a representante da Marvel e da DC Comics. E começou bem, trazendo blockbusters como Naruto e Bleach e alguns outros mais desconhecidos aqui, como Trinity Blood, cujo público logo cresceu. Assim, Panini conseguiu agradar muita gente em pouco tempo, apesar do preço direto de R$9,90 que assumiu. E logo depois desagradou mostrando que não consegue manter nem padrões, nem mesmo qualidade nas suas publicações, quando não somem com elas do nada. Se estou feliz por ler Gantz? Com certeza, mas seria bom saber se meu mangá se tornou bimestral, semestral ou mesmo anual. Já bastava a dita CONRAD…

O Junnin, nosso troll de estimação, já demonstrou antes a raiva que os fãs de mangá sentem da Panini, principalmente quando o assunto em questão é Trigun. Aliás, Trigun, provavelmente, é o mangá mais desrespeitado pela editora, passando desde o problema com suas primeiras edições até a falta de manutenção em Maximun, o que levou uma grande quantidade de pessoas a desistir da coleção. Convenhamos, você vai manter COMO, se não sabe se vai gastar R$9,90, R$10,90 ou mesmo R$12,90 e QUANDO vai gastar isso? Meu orçamento de mangás já foi devidamente afetado pelos meses em que simplesmente fomos inundados de bons títulos nas revistarias, enquanto que em outros eu simplesmente gastei sola de tênis procurando por alguma coisa para ler.

E qual é exatamente o problema de Panini dominar o mercado? É termos que aguentar o mesmo chororô todo mês com títulos de grande porte como D.Gray-Man. Me sinto trollado toda vez que a desgraça atrasa, bem como na época em que comecei a colecionar e era difícil escapar da distribuição setorizada. Hoje existem outras formas de enfrentar o problema, mas sou obrigado a rir com a forma com que a Panini distribui seus mangás. Se fosse pela padrão, ainda não teria sofrido com Gantz, mas, claro, estaria nas edição… O quê? 20? E comprei a 25 sexta? Pois é, vai ser boa assim de entrega lá na Itália vai.

O descaso com a distribuição ainda não é o último problema. Vamos a ele. Enquanto que a JBC seleciona bem seus títulos, a NewPOP segue o padrão da TOKYOPOP e mesmo a Savana engolfa mangás e manhwas curtos, a Panini parece abrir o catálogo, jogar um dardo e pegar o que acertar. Algumas de suas aquisições são inteligentes, como Ouran, em uma época que os shoujos de comédia só tinham Negima, e Highschool of the Dead, para bater de frente com Tenten e suprir a necessidade de Gantz nas horas vagas. No entanto, ela própria se trolla colocando dois mangás de temática similar da mesma autora, e adicionando boas novidades como Eureka Seven tudo de uma vez. Quem tem dinheiro para aguentar essas coleções todas? É uma pena mesmo, eu já desisti de algumas, graças ao exagero do mercado.