jun 1 2009
A Fronteira Final: Shonnens e Shoujos

Um dia eu acreditei que garotas e garotos eram seres não compatíveis, participei do Clube do Bolinha e pensava que o máximo de uma interpretação seria a cena de luta mais inacreditável que um Super Sentai poderia produzir. Isso, claro, até eu ter cabelo. Depois disso, passei a ler mangás, ver animes e o resto vocês devem deduzir. Digo isso porque acho curiosa a distinção clara que tanto o ocidente quanto o oriente fazem das nossas famosas histórias em quadrinhos: Ação para os meninos (SHONNEN) e romance para as meninas (SHOUJO). PONTO. Negima, CLAMP e tantos outros que misturam os dois (de um forma meio fraquinha, mas valendo) simplesmente no ecsistem dentro da classificação tradicional. Aberrações. Pois eu admito: Eu leio essas aberrações.
Pra fugir um pouco dos tradicionais romances aventurescos que podem ou não possuir ecchi, vou citar um mangá cabeça que já passou por aqui: Bakuman. O máximo de ação que o mangá tem é quando o Saiko ou o Shujin é obrigado a correr por aí, até de bicicleta, para resolver uma situação complicada. E aí? Shonnen ou Shoujo meus caros? Pensem na classificação tradicional: Roteiro mais cabeça, envolve paixões de jovens e sonhos de colegiais… Hum… Que tal então dizer a revista onde é publicado? Weekly SHONEN Jump. Sacaram o problema?
Você imagina uma série cabeça numa revista ASSIM?!?O minimalismo da distinção comum é que simplesmente destrói a fama de alguns mangás. Não falo do preconceito, isso todos fazemos, o sentido real da palavra não é o mesmo do uso que se vê por aí. Preconceito não é crime, irracionalidade etníca que é. Mas este não é o assunto. Se você é fã de mangás como Gantz, Berserk, Bastard! (como ninguém falou desse mangá aqui ainda?!?) ou… Sei lá, Battle Royale… Você não irá comprar um mangá que leva na capa duas garotas em algum lugar comum de Tóquio e ostenta orgulhosamente a frase: O mangá shoujo mais vendido do mundo. Antes mesmo de saber que a trama é inteligente e o estilo da autora é ótimo (apesar da arte que cada vez mais me irrita), você irá pensar: Uiiii, mangá de meninas, no máximo pra rir da minha namorada. Trouxa. Sério.
Rola até sexo e drogas num mangá assim…Estou no volume 18 de Fruits Basket (Furuba para os íntimos). O enredo se torna cada vez mais extenso e as personalidades dos personagens me cativam. TODOS, sem exceção, tem caráter, e não digo de bom ou ruim, mas da existência crível dele. Ao contrário dos outros romances femininos que se vê por aí, nenhum personagem é 100% perfeito. Fantástico não? Em compensação, cada vez mais eu acho que o Kishimoto, autor de Naruto, tem que parar de escrever capítulos semanais e passar a fazer volumes completos de uma vez. Dói, cara, dói muito seus erros de narrativa.
Não é uma revolta clássica. É uma sugestão: Esqueçam rótulos. De novo: Sério. Eu nunca daria uma palha que fosse para um mangá cuja premissa básica é: Em um mundo como o nosso, uma espécie de padres alquimistas tira a energia que precisa de… LEITE MATERNO. Ou seja, que passam parte da história sugando peito de garotas… Tá bom, eu daria uma palha sim, mas e daí? Que roteiro poderia sair de uma idéia assim? TAPA NA CARA, MANÉ. TIRA ESSA ROUPA PRETA QUE CÊ NÃO É OTAKU. O mangá realmente está me surpreendendo e já sorrio ao saber que vai sair um anime daí.
PEDE PRA SAIR, OTAKU DE M****! PEDE PRA SAIR!!!Shoujo e Shonnen podem ajudar como referência, na maior parte do tempo. “Ah, como é o estilo de D.Gray-Man?”, poderia me perguntar um incauto fã de anime em um evento diante da edição número um e eu poderia responder: “Olha, é meio que um shonnen, tem um roteiro mais cabeça, mas que tem ótimas cenas de ação”. Taí, um ótimo lugar para usar as duas palavras. Mas generalizar? Nunca mais. E se você ainda não se convenceu, então me diz: Que tipo de mangá é Death Note? FUI!
