jul 27 2010
666 Satan

Homens, mulheres e indefinidos! Estou aqui mais uma vez para compartilhar mais uma análise. Porém, dessa vez não será de um animê, e sim de um mangá! Para realizar esse serviço busquei do meu acervo um mangá diferente, pouco comentado com no ScS!
Eis que depois de alguma procura me lembrei de um mangá escrito por Kishimoto! Ótima pedida não? Mas esperem!! Não me venham com pensamentos automáticos ainda, pois não é o Kishimoto que vocês estão pensando, criador do mundo de Naruto e indubitavelmente um sucesso mundial… de quem eu estou falando é de seu irmão gêmeo Seishi Kishimoto, que por ironia do destino (ou não), também se tornou um mangaká.
Pois é, pode parecer mentira, mas Seishi Kishimoto é irmão gêmeo de Masashi Kishimoto, e também trabalha com mangás há um bom tempo. Apesar de não ter atingido a fama de seu irmão, Seishi Kishimoto é um nome bem familiar no Japão, tendo produzido bons mangás em sua vida como mangaká.
Gêmeos não?Entre seus trabalhos publicados o primeiro a atingir o sucesso foi o mangá 666 Satan, publicado pela Square Enix na revista mensal Monthly Shonen Gangan, possuindo 19 volumes publicados.
Bom agora que vocês já conhecem o básico sobre o autor, me sinto à vontade para começar a fazer a minha crítica sobre 666 Santan, porém, me sinto na obrigação de traçar um pequeno resumo dessa obra, antes da posterior análise da mesma.
666 SatanNo mangá 666 Satan a civilização descobriu a existência de objetos que possuem misteriosos poderes que a tecnologia não consegue reproduzir. Para distinguir esses objetos com poderes dos demais as pessoas passaram a chamá-los “O-Parts”. Existem inúmeras “O-Parts” espalhadas pelo mundo, que vão de um simples bumerangue que possui o poder de duplicar a sua força até gigantescos navios que podem voar. Como o poder dessas “O-Parts” são incríveis, o mundo inteiro passou a buscar encontrar-los com o objetivo de fazer dinheiro, aumentar o poder de fogo de seu país e por aí vai… Logo é fácil constatar que possuir essas “O-Parts” se tornou a forma mais fácil de obter poder nesse mundo e por isso várias pessoas e até mesmo países passaram a procurar pelas “O-Parts”, os encontrando principalmente em antigas ruínas ou em escavações.
As “O-Parts” são um legado de uma civilização ancestral que viveu em nosso mundo há muito tempo atrás. As pessoas que conseguem desencadear o poder de uma “O-Part” são chamadas de “O–Parts Táticos”. Essas pessoas possuem a capacidade de liberar o “espírito” (o mesmo que cosmo em CDZ ou chakra em Naruto) fazendo com que o poder da “O-Part” seja desencadeado. O quanto mais forte é o “espírito” de uma pessoa, mais forte a “O-Part” se torna.

É nesse mundo que nós conhecemos o personagem principal da trama Jio Freed e sua companheira Ruby Cresent. Jio Freed é um garoto enigmático que possui grande habilidade de combate, temperamento explosivo e uma grande obsessão por dominar o mundo, já Ruby Cresent é uma garota que desde pequena possuía paixão pelas “O-Parts” assim como seu pai e por isso resolveu ir atrás delas desde muito nova. Possui uma personalidade carismática, tendo sempre um sorriso no rosto, mesmo nos momentos mais difíceis.

Ambos se encontram logo no primeiro capítulo do mangá, no qual Jio Freed passa a ser o guarda costas de Ruby Crescent, que vive a procura de “O-Parts”. As aventuras passam a se desenrolar a partir disso, se tornando mais e mais complexas com o passar do tempo. Mas agora vocês devem estar pensando “Qual é a sua Ray, vem para cima de mim com esse clichê do caralho e acha que me convence? Vai se fu…”! Calma gente, CALMA! As preliminares acabaram! Vamos agora tirar a roupa desse mangá e ver todo o potencial que ele pode nos trazer!
Bom, 666 Satan é um shounen de ação e aventura, e por isso todos aqueles que gostam desse estilo irão encontrar nesse mangá uma boa pedida. Seishi Kishimoto consegue agradar bem a seus fãs sem se desvirtuar de suas raízes com a evolução da história como vemos em varias outras obras… eu disse varias? Desculpe, eu quis dizer INÚMERAS vezes!
A narrativa de Seishi Kishimoto é simples e diretiva, o que me agrada muito, pois ele não enrola muito os acontecimentos dos fatos, evitando capítulos desnecessários na trama, trazendo junto a isso um fluxo constante de novos eventos a cada mangá, o que faz que sua obra enriqueça muito. O seu pensamento é muito conciso, possibilitando uma fácil transmissão e adaptação de suas idéias aos leitores.
Outra característica que Seishi possui é de trabalhar bem seus personagens principais e coadjuvantes, tanto a curto quanto a longo prazo, dando bastante vida e personalidade a eles, além de conseguir evitar que os coadjuvantes fiquem em um total ostracismo com o desenrolar da trama. Eu realmente aprecio isso no Seishi, pois ele realmente consegue trabalhar bem com os seus personagens explicando o que acontece com eles, sendo melhor do que seu irmão nesse aspecto, na minha opinião.
A história de 666 Satan tem um teor bem maduro se comparar a outras séries shounens bem famosas, impressionando em vários momentos, com uma trama bem montada, sem exageros e sem dramas desnecessários. Várias das idéias de Seishi Kishimoto são bem interessantes, como as dos anjos e demônios nesse mangá, que foi muito bem desenvolvida dando um toque especial na serie.
Existe nesse mangá, algo que eu mais do que gosto! A EVOLUÇÃO do personagem, e olha que eu não tô falando do Pikachu virar Raichu não! Mas sim do amadurecimento do personagem, a instalação de uma personalidade, o desenvolvimento interpessoal que se tem durante sua jornada, como ocorre no 666 Satan, onde você vê o Jio Freed crescer tanto fisicamente como psicologicamente, amadurecendo com o passar de cada arco, dando assim ao leitor uma real noção de como o personagem evoluiu durante sua vida e como ele reagiu diante dos obstáculos que lhe eram impostos.

Um fato interessante nesse anime é a quantidade de conteúdos da Kabbalah (aquela doutrina advinda de uma ramificação do judaísmo que busca mostrar que todas as pessoas têm a capacidade de serem grandes e a Kabbalah é o meio para a pessoa atingir isso); Xintoísmo (culto aos Kamis, que diferentemente dos deuses de outras religiões não são onipotentes ou exclusivamente bons); Cristianismo (meu, não preciso explicar o cristianismo né?) e o do folclore Yokai (folclore japonês). Esses conteúdos são apresentados no mangá tanto em objetos, lendas, em crenças e até mesmo por mensagens subliminares que são perceptíveis se tiverem a devida atenção.
O final da trama é meio apressada, o que me incomodou um pouco, nada do estilo “Ohhh que raiva”, mas realmente desvalorizou um pouco o mangá devido a essa pressa para terminar a obra, deixando alguns fãs insatisfeitos. Um outro ponto que me incomodou, foi em alguns momentos ele demorava demais para realizar determinadas coisas, como a de Cross com Jio por exemplo e a extensão que ele deu no torneio, nada muito escandaloso, mas gera um pouco de insatisfação. Foi até por isso que eu grifei que Seishi Kishimoto não enrola muito começo do texto, pois ele também tem os seus momentos de enrolação, mas nada que se compare a vários mangas que vemos por ai e nada que chegue a desvalorizar o mangá.
O traço do desenho e alguns conteúdos da historia são o grande “NÓ” que existe nesse mangá… meu, passeando pelos fóruns a grande maioria sempre fala assim “Seishi Kishimoto é um plagiador, o traço dele é igualzinho do Naruto, ele é Filha da Pu… que não tem criatividade” e por aí vai…Bom os traços deles são inegavelmente parecidos, o Jio Freed é no mínimo o primo perdido de Naruto, e existem vários elementos na histéria dos dois que são parecidos… Mas vamos pensar, ambos são irmãos gêmeos, cresceram juntos, foram para a escola juntos, tiveram várias experiências juntos e o mais importante, aprenderam a desenhar um com o outro (eles mesmos afirmam isso). Logo é justo que os seus desenhos se pareçam! Já as idéias parecidas, de fato existem algumas, mas também não chega ao ponto de uma pessoa afirmar que é plagio, pois existem muitas diferenças no modo como as histórias de Seishi e Masashi são abordadas, onde cada um tem o seu devido mérito.
Então leitores, não tenham um sangue Troll e desmereçam a obra porque você acha que Seishi é isso ou aquilo, NÃO! Apreciem a obra, leiam antes de criticar, construam uma base crítica, não fique comparando os dois por favor, ambos tem qualidade e merecem o seu devido respeito.
Ok, para terminar vale a pena notar, para quem gosta é obvio, as melhoras dos traços de Seishi Kishimoto com o tempo, principalmente para quem acompanha o novo mangá de sua autoria, Blazer Driver, pois é visível o quanto os seus traços vão se tornando mais sólido com o passar do tempo. Preste atenção na narrativa também e percebam como ela melhora de volume para volume, é bem interessante.
É isso ai galera, chego ao fim dessa resenha, espero que vocês tenham gostado e até a próxima! Fui.
