×××HOLiC – Minhas primeiras impressões

“No tear que tece a nossa vida, não há pontas soltas. Todos os fios estão entremeados entre si e revestidos de significado.”

não é o que tu tá pensando. será?
Não é o que tu tá pensando. Será?

Antes de mais nada, sim, eu sei que já está no volume 10 e um monte, blábláblá. Mas, além de ter começado a ler há pouco, uns dias atrás fui fazer um rancho de mangás, e não tinha o volume 4 e 5. Então, até eu conseguir comprar esses volumes, vamos às impressões dos 3 primeiros.

Apesar de ser do CLAMP (adooooro), nunca tinha me interessado muito por essa história, sem nenhum motivo específico pra isso. Acontece que eu fui surpreendida por esse mangá. Mas, antes de continuarmos, um resuminho pro pessoal aí não boiar:

Watanuki Kimihiro é um estudante que atrai ayakashi (espíritos), que torram a paciência dele – logo nas primeiras páginas, Watanuki é jogado no chão por um deles, pra se ter uma idéia. E justamente num momento desses que ele acaba entrando na loja de Ichihari Yuko, uma mulher misteriosa que diz que o rapaz não acabou lá por acaso. Aquela era uma loja onde se realizavam desejos, e ele só entrou lá porque tinha um. Porém, para esse tal desejo ser concedido, precisa-se pagar um preço equivalente (referências a FullMetal são meramente coincidência – ou não). Então Watanuki, que não quer mais ser incomodado pelos espíritos, aceita de livre e espontânea pressão a oferta de Yuko pra trabalhar em sua loja.

Yuko não só atende desejos, também é uma vidente e uma grande conhecedora das artes ocultas e dos mistérios do universo – ou faz pose que é, ainda não descobri. Logo, ela é uma personagem séria, certo? É isso que tu pensa até ver que por trás de todo o mistéééério da moçoila existe uma guria (sim, guria) que adora saquê, enche a cara e fica chata de ressaca, e se aproveita da habilidade doméstica de Watanuki pra mandá-lo fazer diversos tipos de pratos, além de manter a loja limpa. Como é de se esperar, conforme eles vão ficando mais próximos, ele acaba se envolvendo nas histórias dos clientes dessa loja e ela com os draminhas da vida colegial dele. Apesar de todo o ar místico, esse mangá é muito bem humorado, o que dá um contraponto bem interessante.

acha que me engana.
Acha que me engana.

Eu já tinha ouvido falar que em ×××HOLiC existem participações de outras histórias. Mas é mais legal do que se pensa, pois não só títulos da CLAMP são citados, mas também mangás e animes mais antigos, e alguns games. Sem contar que as referências não são apenas aparições de personagens, mas objetos, meios de transporte e as vezes apenas comentários aleatórios.

Uma situação ótima para ilustrar isso foi logo quando Watanuki começa a trabalhar na loja. Yuko manda-o fazer uma limpeza num quarto específico, e no meio da arrumação ele acha a Key of the Seal, de CardCaptors Sakura. Yuko se refere a isso como dizendo que “Uma guriazinha usa isso aí, mas tem que ter umas cartas pra funcionar“.

História vai e eu esperando a conexão tão conhecida com Tsubasa Chronicles. Quando uma referência melhor ainda aparece, do bicho mais fofo do mundo:


“Vou ter que cuidar desse sorvete de café?”

Mokona! Adoro esse bicho! O original é de Guerreiras Mágicas de Rayearth, e o nome vem de uma das ilustradoras do CLAMP – pelo que eu sei, a mais importante. Em ×××HOLiC temos 2 Mokonas: um claro (Soel) e um negro (Larg). Eles foram criados por 2 pessoas, Yuko e Lead Clow (isso faz muito sentido).
Os dois Mokonas podem se comunicar e inclusive passar objetos de um para o outro, então o Soel vai embora com o pessoal do Tsubasa Chronicles, e o Larg fica com Yuko e Watanuki. E o mais engraçado: o Mokona “café-com-leite”, como diz Watanuki, adoooora um saquê, e vira companheiro de trago da Yuko.

E não posso esquecer do meu lado sou-diretora-de-arte-que-acha-que-escreve: tenho que falar do traço do desenho, e das cores (da capa, da capa!). Sou meio suspeita pra opinar, porque eu me jogo no chão com os mangás do CLAMP de tão lindos que são. Mas esse é um pouco diferente. Enquanto que Guerreiras Mágicas e X/1999 segue uma linha mais mágica, ×××HOLiC segue outra um pouco diferente. Não sei explicar direito, mas os personagens são mais longilíneos do que eu estava acostumada.

capa do 2o. volume.
Capa do 2o. volume.

Apesar de todo o humor, essa história me parece mais sombria, e acho que isso é passado também pela ilustração. Se comparado a X/1999, por exemplo, que tem uma história mais dramática (fim do mundo, o escolhido, blablablabla), xxxHOLiC não seria mais pesado. Mas é, porque eu tive a sensação de que algo muito além do que se sabe vai acontecer. E como esse mangá tem todo um ar misterioso, a ilustração não poderia ser mais adequada. Até na capa tu pode perceber esse lado mais sombrio, as cores influenciam muito para essa impressão. Vamos ver se se confirma no decorrer da história.

E sim, vou fazer uma série. Quando eu conseguir os outros volumes, eu continuo.